Encontro 1. - Liberdade

Etiquetas: Liberdade, Verdade, Pecado, Trabalho com música, Trabalho com texto, Trabalho com definição, Discussão, Formativo

Introdução para o animador

Os conteúdos deste encontro são chave para os objetivos da parte substantiva posterior do retiro. A realização correta do encontro permitirá aos participantes entrar no retiro de imediato: ver-se-ão obrigados a pensar. Proponho analisar cuidadosamente o esquema em função do seu grupo: se alguma pergunta pode revelar-se demasiado difícil, talvez algo seja demasiado trivial; aqui conto com uma espécie de “instinto de animador”. Realizar o encontro “em cima do joelho” sem analisar o esquema pode ser bastante problemático, pelo que uma boa preparação é a chave para dirigir o encontro. Foram incluídos dois fragmentos importantes da Bíblia; proponho rezá-los durante a Tenda do Encontro. Isto deve-se ao facto de que as palavras que pronunciamos devem estar vivas, deve ser notável que do que falamos é o nosso caminho de vida ou o objetivo para o qual nos dirigimos. Ao mesmo tempo, não se deve temer expressar os próprios pontos fracos: aconselho evitar a atitude de “animador ideal”. Esta atitude do animador é o fator básico para a abertura do grupo.

Oração

O animador deve saber quanto pode durar o encontro; dependendo disto, deve avaliar a duração da oração, porque não há muito tempo ;))

Apresentação

Deixo à discrição do animador, pode ser à base de perguntas de apresentação, ou pode ser algum jogo. Aqui também se podem apresentar as regras de trabalho em grupo e este tipo de assuntos organizacionais.

Introdução ao conteúdo puramente substantivo

Aqui o animador não pode perder este momento: deve ser uma entrada forte no encontro. Sem isto, a realização do encontro pode revelar-se pouco efetiva.

OBJETIVO: Mostrar o problema da liberdade

Pôr a canção de Marek Grechuta intitulada “Wolność” (Liberdade). (Se não houver possibilidade de pôr, trabalhar apenas com o texto. Nota: Mantém-se o texto original em polaco por ser uma canção específica, mas pode-se procurar uma canção equivalente na língua de destino ou traduzir o sentido).

Quando vês um pássaro em voo quão livre é
Como flui, até ao fim do céu.
Sabe - o céu às vezes está cheio de ventos e tempestades
E do voo do pássaro já não se veem as rosas.

Porque a liberdade - não é um fim mas uma oportunidade para
Cumprir os sonhos mais belos.
A liberdade - é essa estrela mais brilhante
Um raio de sol na floresta densa, a esperança.

A liberdade é um violino do qual o milagre dos sons
Pode conjurar o esforço do mestre.
Mas quando toca nele um jogador fraco
Só se ouvirá guincho, ranger, choro.

Porque a liberdade - é viver entre gente sábia
Ver a bondade nos seus olhos e a felicidade.
A liberdade - é entre as montanhas e nuvens da vida
Através de cada floresta e muro conhecer a passagem.

A liberdade brilha entre os ramos das grandes árvores
Que trepam para o sol cada uma pelo seu lado.
A liberdade soa como o riso alegre das pessoas
Que ganharam a sua liberdade em defesa -

Da vitória, da sabedoria, da verdade e do amor
Da paz, da felicidade, da saúde e da dignidade.
A liberdade é um diamante para polir
E brilhará com um resplendor indescritível.

A liberdade é também a resistência dos corações
Para não tentar ir pelo mau caminho.
Porque há quem no milagre da liberdade
Possa misturar a sujidade dos seus assuntos.

E a liberdade - é o reino das boas palavras,
pensamentos sábios, belos sonhos,
é a fé nas pessoas.
A liberdade - Deus inventou-a para nós
para que o homem finalmente pudesse
acordar no céu.

—Marek Grechuta – Wolność (Liberdade)

  • Adivinham de que vamos falar neste encontro?

  • Gostaram especialmente de algum fragmento da canção?

  • Como entendem as palavras: “Quando vês um pássaro em voo quão livre é, como flui, até ao fim do céu. Sabe - o céu às vezes está cheio de ventos e tempestades e do voo do pássaro já não se veem as rosas.”?

  • Como entendem as palavras: “A liberdade é um diamante para polir, e brilhará com um resplendor indescritível.”?

  • Como entendem as palavras: “A liberdade é também a resistência dos corações para não tentar ir pelo mau caminho. Porque há quem no milagre da liberdade possa misturar a sujidade dos seus assuntos.”?

  • Consideram que são livres?

  • O que pensam? A liberdade que conhecem é a mesma liberdade de que acabamos de ouvir falar? (Aqui passamos fluidamente para o ponto seguinte fazendo a seguinte pergunta)

Conteúdo propriamente dito

OBJETIVO: Compreensão adequada da palavra liberdade e despertar o desejo de lutar pela verdadeira liberdade, que se pode alcançar graças à verdade, e esta está em Cristo.

  • Como definiriam a palavra liberdade?

Definições de liberdade:

  1. A liberdade é quando ninguém manda e ninguém proíbe

  2. Ausência de coação, situação em que se podem tomar decisões entre todas as opções disponíveis.

  3. A liberdade é a fonte da dignidade humana. Só ela constitui a razão fundamental do respeito por si mesmo.

  4. A liberdade não significa liberdade de todos os princípios orientadores. A liberdade é liberdade para o desenvolvimento conforme as leis da estrutura da existência humana. (…) Significa obediência aos princípios que regem o desenvolvimento ótimo do indivíduo.

  5. A liberdade é a possibilidade, enraizada na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, e portanto de empreender ações voluntárias por si mesmo.

  6. A liberdade é o direito permitido pela lei.

  7. A liberdade é o núcleo da dignidade inalienável de cada ser humano, uma vez que constitui o seu “eu” mais profundo.

  8. A liberdade é a possibilidade, enraizada na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, e portanto de empreender ações voluntárias por si mesmo.

  • Com qual das definições poderiam identificar-se mais? (Aqui pomos as definições de liberdade recortadas e encorajamos a escolher.)

Submeter a discussão a afirmação: “liberdade de… (falta de regras) vs. liberdade para certa escolha” (aqui o animador deve pensar no conteúdo exato desta mensagem dependendo da predisposição do grupo, especialmente a idade)

  • O que entendem por isto?

    • Liberdade para escolher escola, liberdade para escolher companhia, liberdade para escolher esposa (pode-se mencionar humoristicamente os mórmones onde a escolha se faz espontaneamente no estádio. O marido vê pela primeira vez a esposa precisamente neste lugar.)

    • Liberdade da escola, liberdade das ordens da mãe, liberdade de ir à igreja (muitas vezes ir à igreja é uma ordem dos pais, há que olhar para isto sob esta luz!),

  • Sentem-se livres em ambas as definições de liberdade?

Creio que concordarão que muitas vezes as nossas decisões são dirigidas realmente por um fator externo.

  • O que pensam? O que pode influenciar as decisões que tomamos? Os pais, a televisão ou talvez algo mais? (pode-se sublinhar um pouco aqui o problema da massificação e da manipulação, mas não há que estender-se, porque provavelmente haverá uma conferência sobre este tema)

Nota

Os participantes familiarizaram-se mais ou menos com a definição inicial, agora há que mostrar o sentido mais cristológico desta definição.

Lema para a discussão: “Cristianismo – fonte de liberdade ou limitação?” (Aqui permitimos divagações livres. Se o animador dirigir bem este ponto, pode gerar-se uma discussão interessante, mas há que lembrar que o tempo aperta.)

Quando os participantes já tiverem dito algo, pode-se tentar “apanhá-los” um pouco (aqui dependendo de quão seguro se sinta o animador) com afirmações (sobretudo forçar a pensar, aprender a rejeitar esquemas, tentativa de quebrar a direção de pensamento “digo sim, porque essa é a chave”):

  • Que classe de liberdade é a que limita?

  • Como se pode chamar liberdade ao emaranhado de proibições e mandamentos presentes no cristianismo?

  • Por que a livre escolha, por exemplo, de uma vida cheia de sexo, álcool, etc., é supostamente escravidão, e a escolha de Jesus já é liberdade?

  • A fé em Jesus não funciona segundo o princípio do vício?

  • Acaso não se trata de “tornar dependente” a própria vida de Jesus?

  • Por que então esta dependência há de ser liberdade e outras não?

Nota

Aqui tem a oportunidade de brilhar o animador. O mais importante é que se veja que os conteúdos que transmite o animador fluem da sua vida, que ele vive disto!

Proponho fazer antes a Tenda do Encontro baseando-se em dois fragmentos da Bíblia incluídos abaixo.

Dizendo ele estas coisas, muitos creram nele. Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado. Ora o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-me, porque a minha palavra não entra em vós. Eu falo do que vi junto de meu Pai, e vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai. Responderam, e disseram-lhe: Nosso pai é Abraão. Jesus disse-lhes: Se fosseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão. Mas agora procurais matar-me, a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isto. Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de fornicação; temos um Pai, que é Deus. Disse-lhes, pois, Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, certamente me amaríeis, pois que eu saí, e vim de Deus; não vim de mim mesmo, mas ele me enviou. Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra. Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira. Mas, porque vos digo a verdade, não me credes. Quem de vós me convence de pecado? E se vos digo a verdade, por que não credes? Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso vós não as escutais, porque não sois de Deus.

—Jo 8,30-47

Definição de liberdade de Jesus. Fragmento chave!

  • Encontram neste fragmento respostas às perguntas colocadas anteriormente? (Esta parte pode ser relativamente difícil e pode requerer ler duas vezes e ajuda em forma de pistas por parte do animador.)

Pode-se dizer: “Tentem imaginar a seguinte situação: vem ter convosco uma pessoa que não conhecem - sei lá… que seja o animador no primeiro dia do retiro e diz que o vosso comportamento é mau, que o que fazem na vossa vida não é de todo correto. No entanto, acrescenta que podem fazer algo a esse respeito, e até ele vos ajudará nisso. Qual é a vossa reação? Acaso as suas palavras não vos entrariam por um ouvido e sairiam pelo outro? “ -> analogia com o fragmento, de maneira semelhante deviam sentir-se os que ouviam o ensinamento de Jesus. Não é um ensinamento fácil e simples de aceitar! “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.”

  • Por que Jesus dizia aos judeus que viviam na escravidão? Afinal, ninguém os tinha acorrentados, podiam fazer o que quisessem. (->deveríamos chegar à resposta de que se trata do pecado.)

  • Por que o pecado há de causar escravidão? Suponhamos que peco - não sei… respondo mal à mãe, bato num colega - afinal, não me acontece nada então, no dia seguinte ninguém se lembra disso.

  • O que significa que a Verdade liberta? O que é esta verdade? Em que consiste esta libertação? (pistas para o animador - apêndice: A Verdade que liberta.)

“Se vos digo a verdade, por que não credes?” – muitas vezes mostramos desaprovação perante as palavras de Jesus, renegamos o Seu ensinamento falando disso diretamente ou simplesmente pecando.

  • O que responderias a tal censura de Jesus?

Leiamos:

Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência

—Dt 30,19

  • De que vida se fala? - devemos interpretá-lo literalmente?

Há que consciencializar o grupo de que cada um enfrenta uma escolha clara: Deus quer que tomemos tais decisões. Conhecemos o esquema do “caminho” para a liberdade e as suas certas consequências - realmente quero empreender o esforço de chegar à verdadeira liberdade, mais cruamente - escolho a vida (Também se pode usar esta pergunta na aplicação)?

Como já perceberam, a liberdade de que vos falamos aqui pode-se alcançar em Jesus, na Verdade encarnada. Resumindo brevemente:

  • traz-te isto concretamente algum bem? Ou mais bem tens a impressão de que tens de o fazer assim porque é preciso, porque alguém o diz?

O esforço da liberdade (superficialmente, porque o desenvolvimento deve ser na conferência da noite)

Já sabem bastante sobre esta liberdade

  • pensam que se pode alcançar facilmente?

  • Esta liberdade acarreta algum esforço?

Conclusões

Se o tempo permitir, pode-se lembrar brevemente a essência do encontro:

O que é a liberdade – em que se diferencia da que podemos conhecer superficialmente, como alcançá-la (em Deus, na Verdade), esforço (não render-se) a liberdade não é escravidão (soa relativamente estranho, mas tem o seu sentido), mas é o nosso bem e o caminho para a verdadeira alegria.

Aplicação

Como aplicação, que cada um dos participantes pense se está pronto hoje para tomar a decisão de lutar pela verdadeira liberdade. Se está pronto para empreender o esforço de lutar por ela. Que “traga” esta decisão consigo para a oração da noite.