Encontro 2. - “Viverei para Ele”

Etiquetas: Cruz, Ressurreição, Pecado, Conversão, Palavra de Deus, Trabalho com texto, Perguntas para partilha, Bíblico

Objetivo do encontro + introdução para o animador

Objetivos do encontro:
  • análise do salmo 22 no contexto histórico e cultural e reflexão sobre ele

  • preparação para viver a Tenda do Encontro e a confissão

  • mostrar e marcar a diferença entre a leitura da Palavra de Deus apenas sob o ângulo da interpretação do texto, e a tenda do encontro, que é uma conversa com Deus face a face

Este encontro é inteiramente dedicado ao salmo 22. Por isso é importante lê-lo na íntegra, e depois familiarizar-se com o contexto histórico e partilhar o que nos comove e nos faz pensar nele. Este encontro introduz também à Tenda do Encontro e tem como tarefa ajudar a vivê-la como uma conversa com o Senhor Deus, e não um tempo em que nos concentramos apenas na interpretação da própria Palavra.

Introdução ao contexto do salmo

Neste encontro meditaremos a palavra de Jesus “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” (Mt 27,46 ; Mc 15,34). Jesus pronuncia-a no momento em que sente com toda a força todo o peso de todos os pecados cometidos por nós. Ele próprio nunca antes tinha experimentado o pecado, a separação do Pai, a rutura da relação, que é para Ele algo do mais natural. Ao nível emocional sente-se totalmente abandonado. No entanto, acontece que estas Palavras são também o início do salmo 22, escrito cerca de 600 anos antes do Nascimento de Cristo. Os judeus davam grande importância à Palavra de Deus e conheciam fragmentos de cor. Uma das formas de oração com o texto do salmo era pronunciar as suas primeiras palavras, tendo em mente a totalidade, que era bem conhecida por todos. É provável, portanto, que Jesus ao pronunciar estas palavras na cruz expresse não só o seu abandono causado pelo esmagamento do peso dos pecados, mas também tudo o que acarreta o sentido global do salmo 22. É incrível também que, segundo a tradição judaica, este era o salmo que se pronunciava sobre os moribundos. Ninguém o pronunciou sobre Jesus, por isso ele próprio o fez para si. Mas não só. Pronunciou-o também em nosso nome, por nós - moribundos por causa do pecado.

Leiamo-lo pois agora e pensemos no que faz com que seja tão excecional.

Nota

Lemos juntos o Salmo 22

Caráter profético

  • O que indica que as palavras do salmo se referem diretamente a Jesus?

  • O que torna este salmo messiânico e profético?

O salmo, embora tenha surgido cerca de 6 séculos antes do nascimento de Cristo, dá detalhes que indicam muito claramente que são um anúncio da Sua paixão. O rei David, reconhecido como autor do salmo, ao escrevê-lo, referindo-se talvez às suas próprias experiências, provavelmente não fazia ideia de que na realidade estava a criar uma profecia que se cumpriria na pessoa do Messias.

Todos os que me veem de mim escarnecem, fazem trejeitos e abanam a cabeça:
«Confiou no SENHOR, que ele o livre! Que o salve, se é que o ama!».

—Sl 22,8-9

Comparemos isto com o fragmento:

Mas os outros diziam: «Espera! Vejamos se Elias vem salvá-lo».

—Mt 27,49

Prestemos atenção também a:

A minha garganta está seca como um caco, a língua pega-se-me ao paladar.
Porque uma matilha de cães me rodeia, um bando de malfeitores cerca-me. Trespassaram as minhas mãos e os meus pés,
posso contar todos os meus ossos. Eles olham para mim com desprezo.
Repartem entre si as minhas vestes, e lançam sortes sobre a minha túnica.

—Sl 22,16-19

Vale a pena prestar especial atenção a este fragmento:

Diante dele se prostrarão todos os que descem ao pó, inclinar-se-ão todos os que descem à terra. E eu viverei para Ele.

—Sl 22,30

Se se fala aqui de um morto, é uma visão totalmente atípica para o Antigo Testamento, em tempos onde o ensinamento sobre a ressurreição do corpo praticamente ainda não existia. Isto só confirma ainda mais o caráter profético deste salmo.

a minha descendência o servirá, falará do Senhor à geração futura.
Contará a sua justiça, dirá ao povo que há de nascer que o Senhor o fez.

—Sl 22,31-32

A descendência e o povo que há de nascer somos nós - a Igreja, o povo da nova aliança que anuncia a Boa Nova da ressurreição às gerações seguintes. No início do salmo temos a recordação dos antepassados que confiavam no Senhor, isto é, do povo da antiga aliança. Com isto, este salmo une num só toda a história da salvação.

Três atitudes

  • Como muda a atitude do salmista ao longo de todo o salmo?

  • Que partes podemos distinguir neste salmo? É visível o limite entre elas?

Podemos observar neste salmo 3 partes, e ao mesmo tempo 3 tipos de orações - lamentação (versículos 1-19), súplica (versículos 20-23) e ação de graças/louvor (24-32).

  • Em que proporções estão descritas? Que significado pode ter isto?

  • O que distingue as partes individuais entre si? O que é característico de cada uma delas?

  • Em que tempo são pronunciadas?

A parte de lamentação ocupa a maior parte do espaço. Normalmente, concentrar-se na vivência da sua dor domina tudo o resto. É completamente normal. Deus não quer que finjamos diante d’Ele que tudo está em ordem e com o coração leve em cada situação apenas O louvemos. Ele quer ouvir sobre o nosso sofrimento. No entanto, é fundamental não nos determos no sofrimento em si e não nos afundarmos nele. Apesar de tudo, clamar sinceramente a Ele com um pedido ou súplica. Apesar de tudo, tentar louvá-Lo no que vivemos.

A minha atitude

  • Qual destas três atitudes/tipos de orações me é mais próxima?

  • Como é a minha oração quando sofro, e como quando experimento alegria e plenitude?

  • Em que grau o meu bem-estar e estado de espírito determinam a minha oração? Como lido com isso?

Baseando-nos nestas três partes distinguidas no salmo, podemos refletir sobre que atitude adotamos nós mesmos quando sentimos vazio, quando nos sentimos abandonados ou sofremos.

Vale a pena que o animador dê um breve testemunho e assim encoraje os participantes a partilhar.

Resumo + oração

Acabámos de nos dar testemunho mutuamente. Durante o decurso destes retiros ouvimos muitos testemunhos que são edificantes para nós. Partilhar o que Deus fez por nós é extremamente importante para a nossa fé. Todo o salmo 22 é também um grande testemunho - o testemunho de Jesus - um homem sofredor, que passou pelo inferno, mas apesar disso não perdeu a esperança e a fé. Que com a sua morte e ressurreição fez com que não haja na nossa vida tal lugar, tal escuridão, tal pecado, em que Ele não esteja junto a nós. Do qual Ele não seja capaz de nos tirar. Daqui a pouco iremos para a Tenda do Encontro, durante a qual haverá também oportunidade para a confissão. Que este tempo seja um encontro de tudo o que em nós está abandonado e sofredor, com o Jesus abandonado e sofredor, que deseja atrair-nos a si. Não analisemos já as palavras, apenas encontremo-Lo nestas palavras. Não interpretemos, apenas falemos sinceramente com Ele - lamentemos, peçamos, louvemos.