Encontro 4 - Communio

Etiquetas: Eucaristia, Comunidade, Unidade, Igreja, Trabalho com texto, Mistagógico

Objetivos do encontro + introdução para o animador

Importante

No final do esquema encontram-se anexos que devem ser impressos antes do encontro para cada participante!

O último encontro de grupo concentra-se principalmente no aspeto comunitário. É “Nós conhecemos e acreditamos”. Nós vivemos o retiro. Durante o encontro foi reservado um tempo especial para testemunhos, já que nem todos se sentem confortáveis durante o resumo geral no final do retiro. Esta é uma parte importante deste encontro, por isso pode-se alongar à custa de, por exemplo, a forma de ativação. Também é importante que cada participante saia com uma aplicação do retiro escolhida e escrita por ele mesmo. As perguntas que se encontram neste esquema são apenas orientativas, não é necessário fazê-las todas. Às vezes há tantas para “puxar pela língua” a alguém, para lhe ilustrar do que se trata exatamente.

Objetivos:
  • Mostrar como Jesus se faz presente durante a liturgia

  • Mostrar a comunidade como um lugar de desenvolvimento do amor.

  • Resumo dos 3 dias e partilha de experiências pessoais sobre o retiro.

Oração e introdução

Oração espontânea ou qualquer forma de oração escolhida com base na observação do seu grupo.

Perguntando sobre as impressões a respeito da oração que começámos ontem e terminámos hoje na Missa combinada com laudes, lembremo-nos de não exercer pressão a respeito da resposta que esperamos. Nem para todos este momento do retiro teve de ser um momento decisivo.

  • Como vivi esta experiência (da oração estendida à Santa Missa)? O que ficou na minha memória? O que foi importante para mim? O que me comoveu?

  • De que maneira recebo a presença de Jesus Cristo em tais formas de oração?

Cristo presente na Eucaristia

O centro desta parte do encontro concentra-se na presença de Cristo na Eucaristia (gr. eucharistía ‘ação de graças’). A Santa Missa é um evento especial em que Jesus Cristo se une connosco na forma do Pão e do Vinho, e também se faz presente na Sagrada Escritura, na pessoa do sacerdote e do povo reunido. «O sacrifício eucarístico é fonte e cume de toda a vida cristã. […] Na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja» (cf. Catecismo).

Podemos ler neste momento o que diziam os santos da Igreja sobre a Eucaristia:

A presença verdadeira do Corpo e do Sangue de Cristo na Eucaristia não se conhece pelos sentidos, mas apenas pela fé.

—São Tomás de Aquino

O amor natural exige três coisas: a presença da pessoa amada, a sua posse total e a união perfeita com ela; Jesus satisfaz plenamente na ordem sobrenatural esta lei do amor na Eucaristia.

—São Pedro Julião Eymard

Deus nunca nos une tanto consigo como quando está em nós sacramentalmente, em pessoa, e nós estamos espiritualmente encarnados nele; então somos tão fortemente atraídos por ele e unidos a Ele pelo laço do amor indissolúvel, que somos um.

—Santo Alberto Magno

  • Que papel desempenha a Eucaristia na minha vida? Como Jesus me fala durante a Santa Missa? Que significado tem a Eucaristia na minha relação com Deus?

  • Qual destas citações é mais próxima de mim? Porquê?

  • Por que a Eucaristia é ao mesmo tempo fonte e cume de todo o culto da Igreja?

  • O que significa estar espiritualmente encarnado com Cristo?

  • De que maneira esteve presente Jesus até agora durante o retiro?

Variante 1 - forma de ativação

Querendo observar como Jesus se mostra durante a Santa Missa, distribuímos no grupo fragmentos recortados do anexo número 1. Cada “tira” contém um símbolo representado graficamente sobre a presença de Jesus na Eucaristia e uma explicação segundo a Igreja Católica de como se realiza essa “forma” de presença. Pedimos que uma pessoa escolhida leia a citação em voz alta. Depois o grupo responde com as suas próprias palavras como o entende e partilha a experiência pessoal de viver essa “forma” de presença de Deus.

Variante 2 - ver nota de rodapé

“Cristo Jesus, que morreu, ou melhor, que ressuscitou, que está à direita de Deus e que intercede por nós” (Rm 8, 34), está presente de múltiplos modos na sua Igreja (Cf. Concílio Vaticano II, Const. Lumen gentium, 48): na sua Palavra, na oração da sua Igreja, “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome” (Mt 18, 20), nos pobres, nos doentes, nos presos (Cf. Mt 25, 31-46), nos sacramentos de que Ele é o autor, no sacrifício da Missa e na pessoa do ministro. Mas “sobretudo (está presente), sob as espécies eucarísticas” (Concílio Vaticano II, Const. Sacrosanctum Concilium, 7).

CIC 1373

As formas de presença de Deus que discutimos observámo-las em diferentes momentos do retiro. E mesmo quando podia parecer que não está diretamente connosco (por exemplo, durante a noite de sábado, quando o Santíssimo Sacramento não foi exposto), no fundo celebrávamos a Sua presença, mas na Palavra, que hoje durante a Eucaristia se fez Carne. Pudemos percebê-Lo no sacerdote que celebrava a missa e pregava a Homilia. Experimentámo-Lo entre nós, reunidos em Seu nome.

Espécies Eucarísticas

CIC 1374 O modo de presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é singular. Eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz dela “como que a perfeição da vida espiritual e o fim para o qual tendem todos os sacramentos” (São Tomás de Aquino, Summa theologiae, III, 73, 3). No Santíssimo Sacramento da Eucaristia estão “contidos verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, Cristo total” (Concílio de Trento: DS 1651). “Esta presença chama-se «real», não a título exclusivo, como se as outras não fossem «reais», mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela Cristo, Deus e homem, se torna presente todo inteiro” (Paulo VI, enc. Mysterium fidei).

Palavra de Deus

Com Deus falando-nos encontramo-nos durante a celebração da liturgia, como ensina o Concílio Vaticano II: «É Ele quem fala quando na Igreja se leem as Sagradas Escrituras.» (SC 7) CIC 104 Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra sem cessar o seu alimento e a sua força (Cf. DV 24), porque nela não acolhe apenas uma palavra humana, mas o que ela é realmente: a Palavra de Deus (Cf. 1 Ts 2, 13). “Nos livros sagrados, com efeito, o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro dos seus filhos e conversa com eles” (DV 21).

Na pessoa do Celebrante

Pelo ministério dos presbíteros, realiza-se o sacrifício espiritual dos fiéis em união com o sacrifício de Cristo, único Mediador. Este sacrifício é oferecido de modo incruento e sacramental na Eucaristia pelas suas mãos em nome de toda a Igreja até à vinda do próprio Senhor (Concílio Vaticano II, Decr. Presbyterorum ordinis, 2).

Na assembleia

CIC 1368 A Eucaristia é também o sacrifício da Igreja. A Igreja, que é o Corpo de Cristo, participa na oferta da sua Cabeça. Com Ele, ela oferece-se a si mesma toda inteira. Une-se à sua intercessão junto do Pai por todos os homens. Na Eucaristia, o sacrifício de Cristo torna-se também o sacrifício dos membros do seu Corpo. A vida dos fiéis, o seu louvor, o seu sofrimento, a sua oração e o seu trabalho unem-se aos de Cristo e à sua total oferta, e adquirem assim um valor novo. O sacrifício de Cristo presente no altar dá a todas as gerações de cristãos a possibilidade de se unirem à sua oferta.

“Nós conhecemos”

A comunhão une-nos não só com Jesus, mas também uns com os outros. Unem-nos os Seus laços de sangue. No fragmento que é o nosso motivo condutor deste retiro, São João escreve “NÓS conhecemos e acreditamos (…)”. Não fala apenas em seu nome, mas acentua o facto de que isto se realizou em grupo, em comunidade.

Leiamos um fragmento da Constituição Dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium:

«Aprouve, contudo, a Deus santificar e salvar os homens, não singularmente, sem conexão alguma uns com os outros, mas constituí-los num povo, que O conhecesse na verdade e santamente O servisse.»

  • Por que agradou a Deus santificar-nos e salvar-nos em comunidade?

  • Em que se diferencia a comunidade da Igreja de outras comunidades?

A Igreja não é apenas um grupo de pessoas que têm um objetivo comum e vão na mesma direção. A Igreja é um mistério que só pode ser conhecido pela fé. O corpo místico de Cristo, que é cada batizado:

Pois todos nós fomos batizados num só Espírito para formarmos um só corpo, quer judeus quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito. O corpo não é composto de um só membro, mas de muitos. Se o pé dissesse: «Como não sou mão, não sou do corpo», nem por isso deixaria de ser do corpo. Se o ouvido dissesse: «Como não sou olho, não sou do corpo», nem por isso deixaria de ser do corpo. Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se fosse todo ouvido, onde estaria o olfato? Mas Deus dispôs cada um dos membros no corpo, como Lhe aprouve. Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Há, pois, muitos membros, mas um só corpo. O olho não pode dizer à mão: «Não preciso de ti»; nem a cabeça aos pés: «Não preciso de vós». Pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são os mais necessários; e os que nos parecem menos honrosos, a esses rodeamos de maior honra, e os nossos membros menos decorosos são tratados com maior decoro; os que são decorosos não precisam disso. Mas Deus compôs o corpo, dando maior honra ao que dela carecia, para que não haja divisão no corpo, mas tenham os membros igual solicitude uns pelos outros. E, se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. Ora, vós sois o corpo de Cristo e, cada um de sua parte, seus membros.

—1 Cor 12, 13-27

  • O que significa ser Corpo de Cristo?

  • Como influencia a visão da Igreja como Um Só Corpo de Cristo a minha perceção e tratamento de outros dos seus membros?

Somos o corpo de Cristo. É por isso que São Paulo pode dizer: Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. É um elemento da nossa identidade, da dignidade cristã. Por isso devemos rodear o que na Igreja é menos honroso, vergonhoso, com especial cuidado e maior respeito!

  • O que significa para mim que não tanto devo imitar Jesus, mas ser Ele?

A comunidade também está inscrita no que somos, na nossa natureza. Fomos criados à imagem do Deus Trino e convidados à relação que têm entre si as Pessoas da Trindade. Descreve-o belamente o Pe. Piotr Sękowski num fragmento do seu livro “A Cruz de Jesus Cristo. História sobre a árvore da vida”:

“Li uma vez uma frase do jesuíta francês, Pierre Varillon: «Se Deus não fosse Trindade, eu já não entenderia nada». O que significa isto? Em poucas palavras, que Deus sabe amar. O Pai ama o Filho, isto é, Jesus, e o Filho ama o Pai. O amor entre eles é tão grande que é uma Pessoa separada, o Espírito Santo, o Vivificador. Deus é construído de puro Amor. E construiu-nos à Sua imagem. Por isso a corda mais profunda em nós é a necessidade, o desejo de relação, de amor, de amizade de outro ser humano. Mais ainda: quando amamos alguém, temos a necessidade de nos entregar completamente a essa pessoa. Quando um marido ama a sua esposa, quando uma mãe ama um filho, com gosto lhe entregará tudo, não deixará nada para si. Num tal caso, acontece em nós a Trindade.”

  • Quando posso experimentar que acontece em mim a Trindade?

  • O que me ajuda a concretizar o meu amor?

  • Que papel desempenham na minha vida as relações que tenho com os outros?

  • A que comunidades pertenço? Quais são as mais próximas de mim?

  • De que maneira realizo a vocação ao amor nestas comunidades?

A comunidade ajuda-nos a concretizar o ideal do amor, torna-se um espaço para cumprir a vocação que cada um de nós tem. Graças a ela podemos desenvolver-nos, crescer, amadurecer.

Testemunhos

Uma expressão de amor também pode ser dar testemunho aos outros, por isso demos agora a nós mesmos um espaço para partilhar como Deus agiu durante este retiro. Cada um de nós veio aqui com algumas expectativas, podemos perguntar neste momento se e de que maneira se realizaram. Perguntas auxiliares:

  • O que foi o mais importante para mim neste retiro e o que despertou mais reflexão?

  • O que transformou Deus em mim? O que mostrou?

  • Em que momento do retiro experimentei mais a Deus?

  • De que maneira o que vivi no retiro influenciará a vivência do Advento atual?

Aplicação

Cada um por si mesmo, com base na experiência mais importante para ele do retiro, escolhe para si uma aplicação e a escreve no caderno. Se alguém tiver problemas para inventar uma aplicação, pode-se propor a oração pelas intenções dos membros do seu grupo de retiro como parte da concretização do amor na comunidade.

Oração de bênção mútua. Estamos em círculo e cada um em voz alta (ou não) abençoa com as suas próprias palavras a pessoa à sua direita. Se o teu grupo não estiver pronto para isto, podem ler juntos na vossa intenção o Salmo 67.