Encontro 2 - As pessoas do Cenáculo

Etiquetas: Espírito Santo, Esperança, Comunidade, Desejos, Oração, Perguntas para partilha, Formativo

Materiais

Cartões com comparações escritas sobre a fé - “Apresentarias a fé que desejas ter…”, mapa mental “Respeito a Deus, por isso…” para preencher

Objetivo

  1. Permitir considerar piedosamente sobre Deus conceitos tais como “deceção”, “frio” sem sentimento de culpa.

  2. Convencer as pessoas de que na fé são melhores 3 palavras do coração de uma fé verdadeiramente quebrantada do que cento e um hinos cantados de pé.

Oração da noite e laudes

Partilha - observações, perguntas, sugestões, sentimentos - lembrar para a reunião informativa da diaconia de oração

O Cenáculo não só dos apóstolos

Olhemos para os discípulos e a sua situação depois da ressurreição de Jesus:

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde se achavam os discípulos, por medo dos judeus, apresentou-se Jesus no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor. Disse-lhes, então, Jesus segunda vez: «A paz esteja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.» Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficar-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ficar-lhes-ão retidos.»

—Jo 20,19-23

Reflitamos que estado dos discípulos emerge deste fragmento, que emoções os acompanham: Medo, reflexão “O que agora? O que será de nós?”, talvez também deceção, sentimento de derrota…

  • Serão estes sentimentos de alguma maneira próximos a nós em questão de fé? Sentimo-nos às vezes assim nós próprios?

  • Temos a impressão de que às vezes na nossa fé algo “não bateu certo” ou “não bate certo” como deve ser?

  • Esperamos algo na nossa fé?

  • Que fé gostaríamos de ter? Podes descrevê-la de alguma maneira? (desenvolvemos a pergunta na dinâmica descrita abaixo)

A minha fé é um assunto tremendamente pessoal. É difícil falar dela por esta razão. Temos anotadas numa folha as seguintes perguntas:

  • Apresentarias a fé que desejas ter mais como uma rocha ou como fogo?

  • Apresentarias a fé que desejas ter mais como um sábio sobre um livro ou como uma pessoa de oração fervorosa?

  • Apresentarias a fé que desejas ter mais como um Hino de louvor em honra da Criação ou como uma súplica humilde?

  • Apresentarias a fé que desejas ter mais como um sino da catedral a ressoar largamente ou como uma mãe a ensinar à sua filha o Pai Nosso?

  • Apresentarias a fé que desejas ter mais como uma incessante colocação de perguntas ou como a obtenção de respostas?

  • Apresentarias a fé que desejas ter mais como a conquista do mundo ou como a fuga do mundo?

  • Apresentarias a fé que desejas ter mais como um lago que é para os outros ou como uma torrente impetuosa a abrir caminho através das rochas?

  • Apresentarias a fé que desejas ter mais como “és o Rambo” ou “és um seminarista piedoso”?

  • Apresentarias a fé que desejas ter mais como caminhar sobre a água ou servir o genro?

  • Apresentarias a fé que desejas ter mais como Coração ou Razão?

  • Apresentarias a fé que desejas ter mais como escalar ao cume ou contemplar as vistas no cume?

  • Apresentarias a fé que desejas ter mais como o cumprimento escrupuloso da lei ou a sua criação, descoberta?

  • Apresentarias a fé que desejas ter mais como “para o baile” ou “para o rosário”?

  • Apresentarias a fé que desejas ter mais como o canto tradicional das horas ou o canto de canções com bateria na Igreja?

  • Apresentarias a fé que desejas ter mais como longas discussões e meditações ou momentos de exaltação, como um clarão de luz?

  • Apresentarias a fé que desejas ter mais como uma confiança de criança ou uma dúvida de Tomé?

Nota

o animador estende os cartões sobre a mesa.

Claro, nenhuma destas coisas se exclui mutuamente - não há aqui resposta boa e má, ou melhor ou pior - mas mesmo a colocação intuitiva dos acentos ajudará a contar o que há no coração.

Pedimos que cada participante escolha duas (uma?) perguntas e as faça a duas pessoas (uma pessoa?) do grupo. Atenção! Que a nossa maturidade para a comunidade se expresse na preocupação de que cada pessoa tenha a possibilidade de dar resposta à pergunta. Que cada pergunta seja utilizada no máx. 1 vez. Vale a pena fazer uma pergunta de aprofundamento “e porquê?”. Sublinhamos que não falamos de como é a nossa fé mas de que fé gostaríamos de ter!

São desejos que estão profundamente em nós, por isso é difícil nomeá-los, mas talvez estes cartões nos tenham ajudado de alguma maneira nisso. Se falamos de que queremos algo… isso significa que o esperamos. Porque esperamos? Porque é que o bom Deus nos faz esperar algo que de certeza que é bom? Porque é que não o temos já agora?

NÃO SABEMOS! (nota bene: choque? A Igreja não sabe algo?) Mas não temos que sabê-lo. Aparentemente tal é o plano de Deus, porque…

..acho que não é nada anormal já que os apóstolos no Cenáculo também esperam (estou sim! Os mais duros sob o sol, a primeira Igreja). Estamos numa situação muito semelhante - tal como os discípulos de Jesus - somos PESSOAS DO CENÁCULO. Pessoas no início de algo novo. Pessoas que esperam, que desejam sair dele e “ir a todo o mundo” (porque tal é o coração do homem - criado para agir), mas a quem falta coragem, conhecimento de como ferrar o dente e abordar isto, pelo que às vezes se sentem perdidos na sua fé.

Revolta! Saída! Coragem!

Pode-se sair deste cenáculo? Podem-se atravessar os seus muros?

  • A vida excecional é uma graça especial e apenas alguns têm oportunidade para ela?

  • Podemos desejar uma vida extraordinária? Desejamo-la?

Não só podemos desejar! Basicamente é-nos prometida e não por qualquer um. Leiamos

Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim fará também as obras que Eu faço, e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai.

—Jo 14,12

  • O que significa maiores do que estas? Isto é, quais? (caminhar sobre a água por exemplo)

  • Como nos sentimos com tal promessa de Jesus? O que significa para mim?

O que significa obras maiores? Será que o Senhor Jesus encoraja os quase 7 mil milhões de pessoas vivas a que cada uma delas comece simultaneamente a mover montanhas? Introduziria um ligeiro caos.

  • O que podem ser portanto estas “obras maiores” de que fala Jesus?

Do movimento de montanhas não há demasiado proveito espiritual. É difícil determinar o que Jesus tem em mente - apenas se sabe que tem que ser algo realmente extra. Uma coisa é certa - cada crente deve realizar grandes coisas, significativas, importantes. Jesus tem o poder para tornar a sua vida relevante. Para ir e literalmente “realizar obras”, e não escapulir-se pela vida às escondidas.

  • Como ganhar tal fé?

  • O que há entre o fechamento no cenáculo e essa alegria de viver? (O Espírito! A sua vinda!)

Os apóstolos, que foram a todo o mundo conhecido por eles e anunciaram Jesus em línguas que antes nem sequer entendiam. Não eram perfeitos. Esconderam-se no cenáculo! Eles não entenderam o seu ensinamento! Dececionaram o mestre (não estavam sob a cruz)! Falando em português claro, meteram água onde foi possível. Mas… estavam abertos ao Espírito e eram verdadeiros (por exemplo, Tomé: se tem dúvidas não mostra os dentes e assente, mas diz de chofre - não acreditarei enquanto não vir!)

Visto que eles puderam ser assim, nós também podemos. Não é nada anormal se temos problemas com a fé, o problema é que nos fechamos ao Autor de Todo o Movimento.

Para que fosses tu mesmo - Desejo de Deus mesmo

Vejamos duas atitudes:

Nota

Exemplo para o animador, para entender o espírito. Adaptar à idade do grupo: “Senhor Deus é fantástico este ensinamento sobre as relações pré-matrimoniais! Adoro-o! Mas bom… sabes como é” vs “Senhor Deus não pesco o Teu ensinamento e a Igreja e põe-me os nervos em franja! Ajuda-me a entender, porque não consigo”

  • Que atitude associas com a humildade? Como pensas porquê (não)?

  • És capaz na oração de ser humilde no bom sentido desta palavra, isto é, não tentar colorir a realidade? Também a realidade da tua relação com Deus?

Aviso

Esta é uma das perguntas chave nesta reunião. Não omitir, não saltar de passagem.

Vejamos como rezava por exemplo Jonas:

Deus viu as suas obras, como se converteram do seu mau caminho; e Deus arrependeu-se do mal que tinha anunciado fazer-lhes, e não o fez. Mas isso desagradou extremamente a Jonas, e ele ficou irado. E orou ao SENHOR, e disse: Ah! SENHOR! Não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso me preveni, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus compassivo e misericordioso, longânimo e grande em benignidade, e que te arrependes do mal. Peço-te, pois, ó SENHOR, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver. E disse o SENHOR: Fazes bem que assim te ires? Então Jonas saiu da cidade, e sentou-se ao oriente dela; e ali fez uma cabana, e sentou-se debaixo dela, à sombra, até ver o que aconteceria à cidade. E fez o SENHOR Deus nascer uma aboboreira, que subiu por cima de Jonas, para que fizesse sombra sobre a sua cabeça, a fim de o livrar do seu enfado; e Jonas se alegrou em extremo com a aboboreira. Mas Deus enviou um bicho, no dia seguinte ao subir da alva, o qual feriu a aboboreira, e ela se secou. E aconteceu que, aparecendo o sol, Deus mandou um vento calmoso oriental, e o sol feriu a cabeça de Jonas; e ele desmaiou, e desejou com toda a sua alma morrer, dizendo: Melhor me é morrer do que viver. Então disse Deus a Jonas: Fazes bem que assim te ires por causa da aboboreira? E ele disse: Faço bem que me ire até à morte.

—Jn 3,10 - 4,9

  • Surpreende-vos a atitude de Jonas e que tal pessoa esteja na Sagrada Escritura?

  • Tal atitude associa-se-vos com um modelo de fé ou nem por isso?

  • O que significa para Ti “ser uma pessoa crente” que imagem vês? (não desenvolver! Haverá uma dinâmica sobre isto com uma folha)

  • O que é difícil em tal boa humildade?

  • Como começar a rezar “corajosamente” a exemplo de Jonas?

Pode-se ser piedosamente ganancioso, bem ganancioso nos pedidos. A fé exige ser tratada a sério. Deus trata-nos a sério, nós também deveríamos tratá-lo assim. Leiamos:

Jesus Cristo preparou para nós coisas que nem o olho viu, nem o ouvido ouviu. E nós rezamos para que seja loira com olhos azuis, ou para que o teste surpresa seja fácil.

—pe. Adam Szustak

  • É-te conhecida a situação ou o pe. Adam engana-se? :)

O que significa para nós aqui e agora “tratar Deus a sério”? Tentemos fazer uma lista (Mapa de associações - folha com a inscrição “Respeito a Deus, por isso…” no meio, acrescentamos as nossas respostas). Mas que seja a nossa lista, e não uma lista de “alguns polacos”. Tentemos procurar mais profundamente, porque será que por ouvir “sê boa pessoa” tornas-te melhor? É preciso algo concreto! Tentemos escrever coisas concretas

[dinâmica]

  • O que é especialmente difícil em tudo isto?

  • Porquê? Tentamos “desenrascar-nos sozinhos” com as nossas próprias forças?

Ser tu mesmo - alegria

O que é fruto da fé sincera e aberta? A alegria! Porque a fé deixa de ser algo como à margem da nossa vida, algo como um pouco não nosso. Não temos dois corações: o que pensa o seu e o que está arrumado diante de Deus. Quando de repente numa esfera tão importante da vida como é a espiritualidade podemos ser nós mesmos e além disso alguém quer que sejamos assim e diz: “Pois enfim Ana/Catarina/ Brás/Tiago! Enfim disseste-me o que pensas, e não tentaste ser quem não és!” não se pode não estar alegre.

  • Já viveste alguma vez a alegria de “ser tu mesmo”? Não necessariamente diante de Deus!

  • Já tentaste alguma vez sair do teu cenáculo? Revoltaste-te contra como parece a Tua vida/fé?

  • Tentaste fazê-lo sozinho ou com a ajuda do Espírito Santo?

Leiamos certa história conhecida:

Enquanto assim falavam, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» Espantados e cheios de medo, julgavam ver um espírito. Disse-lhes Ele: «Porque estais perturbados e porque se levantam dúvidas nos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho.» Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E como eles, na sua alegria, não queriam acreditar e estavam admirados, perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa que se coma?» Deram-lhe um bocado de peixe assado; e Ele tomou-o e comeu diante deles. (…) Então, prostrando-se diante dEle, voltaram para Jerusalém, cheios de alegria. E estavam continuamente no templo a bendizer a Deus.

—Lc 24,36-42.52-53

Lembramo-nos em que situação estão os apóstoles depois da morte do Mestre. Sabem que deveria ser diferente, mas estão indefesos. Não veem sentido nos eventos.

  • De que se alegravam os apóstoles?
    • Primeiro, olhando muito “à maneira humana”, alegravam-se de que a vida voltou, de que “recuperaram” uma pessoa próxima, o seu Mestre.

    • Alegravam-se de que a desgraça que viviam terminou, de que diante dos seus olhos se realizou um bem, que até agora não sabiam compreender.

    • A partir de agora participam na vitória do seu Mestre sobre a morte. Depois da tragédia da cruz, das deceções e da resignação, encontram-se diante de um novo começo. O encontro com o Ressuscitado torna-se fonte de nova esperança, alegria, nova vida.

    • Outra razão para a alegria é o facto de que não perderam tempo. Algo em que acreditaram durante 3 anos, após Quem caminharam, Quem ouviram… Tudo isto no entanto não se revelou ser um fracasso, nem uma treta, mas um assunto autêntico, grande.

  • E Tu? De que te alegras realmente?

  • Que aspeto da alegria toca a Igreja mais fortemente?

Resumo

Cada um de nós tem direito e até o dever de viver a sua vida de maneira extraordinária. Fácil não é e muitas vezes voltamos ao próprio cenáculo à espera dos chamados tempos melhores. No entanto, o homem será feliz apenas quando estiver “no seu lugar”. O nosso lugar não é o cenáculo - temos que conquistar o mundo. Isto pode ser um pensamento pouco humilde… mas Deus comporta-se na Sagrada Escritura como se apenas esperasse que nós pensemos assim.

Somos portanto “pessoas do cenáculo”…. mas isso não significa que passaremos nele toda a nossa vida. Estamos prontos para abandoná-lo?

Aplicação

Oração pela coragem de tratar a fé a sério.