Encontro 3. - Por que as palavras “Seja feita a Tua vontade” são importantes para a minha vida?

Etiquetas: Vontade de Deus, Liberdade, Vocação, Verdade, Trabalho com texto, Perguntas para partilha, Discussão, Formativo

Objetivo

Descobrir quais esferas da minha vida não consigo entregar a Deus. Conscientização de que cada um de nós tem tais elementos que quer dirigir por si mesmo. (É importante que ninguém se sinta pior pelo fato de não conseguir entregar toda a sua vida a Deus). Partilha da nossa experiência de “autodireção” da vida. Tentativa de encontrar resposta para a pergunta: “Por que algumas áreas são mais fáceis de entregar a Deus, e algumas mais difíceis (ou até é impossível)?”.

Oração

Oração pela capacidade de olhar para a nossa vida na Verdade. O acento não está na direção de prestar contas de algo, pelo contrário - pedimos precisamente para saber ver como é a nossa vida, e não quais são os seus prós e contras.

Introdução

Ontem falamos sobre o que é a liberdade e como distingui-la da libertinagem. Ou seja, sobre como “não exagerar” com a liberdade. Hoje já sabemos que nossa liberdade podemos entregar a Deus, para que ele a dirija. Mas como conciliar isso? Como conciliar a liberdade com o cumprimento da vontade de Deus – como “não escravizar a própria liberdade”.

Onde há lugar para a vontade de Deus na minha vida?

Escrevamos em um papel as esferas de que se compõe a nossa vida – tanto as pequenas como as “grandes”. Em seguida, ordenemo-las começando pelas que são para nós as mais importantes, terminando pelas menos relevantes. (ex. Escola, encontros com amigos, família, meu hobby, trabalho, vocação…)

Aviso

O mais importante não significa que ocupe a maior quantidade de tempo

Após criar a hierarquia, marcamos (como fruto da Nova Evangelização/Reflexão Pessoal), em quais destas esferas nos é fácil dizer “Seja feita a Tua vontade”, em quais é difícil, e em quais é quase impossível. – Por este tempo!

  • O que me é fácil entregar a Deus? O que eu quero dirigir sozinho?

  • Onde esses assuntos se encontram na hierarquia de assuntos importantes para mim?

  • Por que precisamente estes? O que você acha?

Estas perguntas têm caráter de partilha e não há nelas uma única resposta certa. Vale a pena destacar duas atitudes mais possíveis e mais frequentemente encontradas:

  1. As questões mais importantes, eu quero conduzir sozinho, e as que não me importam, posso entregar a outra pessoa.

  2. Estou tão apegado a esses pequenos assuntos que não imagino que possam mudar, ir “não segundo o meu pensamento”, enquanto sobre os assuntos importantes não reflito, por isso me é mais fácil reconhecer a vontade de Deus nessas áreas.

Isso me é necessário?

Nota

“Isso” = a vontade de Deus

Estou isolado em tal atitude? Leiamos:

E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna? E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos. Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda? Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me. E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades.

—Mt 19,16-22

Parecia ao jovem que ele era tão super… talvez quisesse também se gabar diante de Jesus. E que atitude eu adoto ao estar diante de Deus?

  • É fácil para mim perceber os assuntos que não consigo entregar a Deus?

  • É ruim que existam tais assuntos na minha vida que eu quero dirigir sozinho?

  • Entregar tudo a Deus é necessário para a salvação?

Nota

Interpretação baseada na Veritatis Splendor:
A perfeição exige essa maturidade no dom de si mesmo, à qual é chamada a liberdade humana. Jesus indica ao jovem os mandamentos como primeira condição indispensável para alcançar a vida eterna; enquanto as palavras sobre o abandono por parte do jovem de toda posse e o seguimento do Senhor têm caráter de proposta: “Se queres…”. Jesus revela aqui a dinâmica particular do crescimento da liberdade para a plena maturidade, e ao mesmo tempo confirma a existência de um vínculo fundamental entre a liberdade e a lei de Deus. A liberdade do homem e a lei de Deus não são contraditórias entre si, mas ao contrário - referem-se mutuamente uma à outra. O discípulo de Cristo sabe que sua vocação é uma vocação à liberdade. “Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade” (Gl 5, 13), clama com alegria e orgulho o apóstolo Paulo. Mas acrescenta imediatamente: “Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor” (ibid.). A firmeza com que o Apóstolo se opõe àqueles que vinculam sua justificação à Lei, nada tem a ver com a “libertação” do homem dos mandamentos, que - ao contrário - servem para praticar o amor: “Pois aquele que ama o próximo cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Rm 13, 8-9). Santo Agostinho, quando fala da observância dos mandamentos como da primeira liberdade imperfeita, acrescenta: “Por que - perguntará alguém - ainda imperfeita? Porque «vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento» (…). Liberdade parcial, escravidão parcial: a liberdade por enquanto não é completa, não é pura, não é plena, pois ainda não alcançamos a eternidade. Em parte ainda estamos sujeitos à fraqueza, e em parte já ganhamos a liberdade. Todos os nossos pecados foram apagados pelo batismo, mas será que com a destruição da iniquidade desapareceu também a fraqueza? Se ela tivesse desaparecido, viveríamos na terra sem pecado. Quem ousará dizer que é assim, senão o homem cheio de soberba, indigno da misericórdia do libertador? (…) Visto que, portanto, ainda estamos sujeitos à fraqueza, ouso afirmar que somos livres na medida em que servimos a Deus, e na medida em que seguimos a lei do pecado, somos escravos”.

(com base no texto sabemos que para a salvação é necessário guardar os mandamentos, enquanto seguir a Jesus já é uma etapa posterior - “Se queres ser perfeito”. Jesus não exige de nós “vender tudo e segui-lo” – é uma proposta para Aqueles que querem na vida “algo mais”)

Por que então nos fazemos hoje a pergunta sobre essas esferas da vida que não somos capazes de entregar a Deus? Para que se preocupar com isso, já que não é necessário para a salvação?

Com ajuda para responder a esta pergunta pode vir-nos o fragmento do Evangelho de São João:

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará

—Jo 8,32

Fazendo-nos perguntas e buscando respostas para elas, podemos conhecer a verdade sobre nós mesmos e sobre nossas motivações. Só conhecendo a verdade podemos ser livres.

  • A pergunta da reflexão pessoal permitiu-vos descobrir algo novo sobre vós mesmos? Foi difícil para vós?

  • Colocaram-se diante de vós mesmos na verdade?

  • Se sim, tornaram-se pessoas mais livres do que antes da reflexão… Têm consciência disso?

Mas o simples fato de fazer perguntas não é a atitude de “Seja feita a Tua vontade”. Por que então tal atitude é boa? Por que nos é dada como exemplo?

Para responder a estas perguntas é preciso recorrer ao primeiro encontro de hoje, e lembrar o que é a vontade de Deus e o que não é…

Nota

Lembrete do que os participantes entendem sob o conceito “Seja feita a Tua vontade”.

Dito da maneira mais simples, a vontade de Deus é que respondamos positivamente ao Seu chamado, que realizemos bem a nossa VOCAÇÃO.

Na Carta de São Paulo aos Gálatas lemos:

Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

—Gl 5,13-14

  • O que é então a atitude “Seja feita a Tua vontade”?

  • Diante da vocação à liberdade, podemos continuar dizendo que cumprir a vontade de Deus não nos é necessariamente necessário?

Para Grupos Mais Jovens (e não só) - anexo

Em um papel escrevemos uma inscrição grande “Deus” e a colocamos debaixo do papel criado no início do encontro. No fundo da janela em nosso primeiro plano transparece a inscrição Deus.

  • O que isso significa?

  • Como vocês interpretam isso?

Nota

Para o animador – exemplo de interpretação: A verdadeira liberdade tem chance de existir apenas na plena entrega dela a Deus. É Ele quem ilumina com a verdadeira liberdade a nossa vida. Sem os raios de sua liberdade, isso é apenas a nossa liberdade, e assim ocorre uma conexão ideal - mas somos nós que extraímos a nossa liberdade da Liberdade dele, não o contrário :)

Aplicação

Voltemos mais uma vez à hierarquia das áreas da nossa vida. As áreas em que não somos capazes de dizer “Seja feita a Tua vontade” são livres em nós? Será que nelas (apesar de querermos nós mesmos dirigir) nos sentimos livres?

Escolhamos uma Dessas coisas (assuntos), na qual queremos especialmente tentar adotar a atitude “seja feita a tua vontade” e entreguemo-la a Deus na oração.