Encontro 3. - “CONSEQUÊNCIAS!!!” ou simplesmente “Consequências”?

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Objetivo do Encontro

Levar ao desejo das consequências das próprias decisões na plena responsabilidade de tomá-las. Ver de onde nasce a incerteza. Tocar as boas consequências das próprias escolhas.

Oração

Adaptada às possibilidades do grupo.

Introdução

Ontem com tanta alegria dizíamos – queremos tomar decisões, queremos decidir! O dia de hoje começamos a falar das consequências das escolhas. Por um lado, graças a escolher podemos “tornar valioso” algo nesta terra, por outro… pois é – expomo-nos a perdas, escárnio, fracasso.

Um exemplo clássico aqui é a tomada de decisões, por exemplo, na política. É muito mais fácil não ter que decidir sobre reformas importantes do país, permitir que o façam outros, e a si mesmo sentar-se na cómoda posição da crítica. Para decidir é preciso ter coragem para enfrentar as consequências.

  • Tiveste alguma vez que enfrentar “desgostos” causados pelo facto de que tomaste alguma decisão, quando poderias “igualmente bem” ignorar todo o assunto e não te envolveres? (e então serias “fixe”)

  • Tens tais decisões na vida, de cuja forma de realização estás tão seguro que não temes nenhuma crítica, porque Tu sabes que então foi o melhor movimento?

Certeza, incerteza

Provavelmente concordaremos que tais decisões na nossa vida são mais bem menos do que mais. Normalmente a incerteza acompanha-nos mais ou menos, mas incessantemente. Sempre podemos fazer-nos essa pergunta: “e se no entanto…?” e começar de novo a análise da situação. A incerteza às vezes é insuportável, estamos fartos dela, tentamos a todo o custo eliminá-la.

  • Que tipo de decisões causam as maiores dúvidas? Como me arranjo (reajo a elas) com estes assuntos?

  • Conheço a experiência do “aumento da incerteza” depois da escolha já realizada?

Por que aparece esta incerteza não só no momento da escolha mesma, mas “arrasta-se” mais tarde atrás de nós? Porque se aproximam as consequências. Quanto mais perto das consequências, maior a incerteza. É assim devido ao fragmento do Evangelho perfeitamente conhecido por nós – “pelos seus frutos os conhecereis”, assim é também com as nossas decisões. As consequências que vêm são o “momento de prova” se fizemos algo bem ou mal. Um mecanismo normal é então a inquietação.

  • De que maneira associam a palavra consequências? (“lembra-te das consequências”, “sê consequente”, “terás que carregar com as consequências o resto da tua vida”, etc.).

Em tal entendimento as consequências são um “exame desagradável”, uma “perspetiva ameaçadora de desnudar os nossos erros”, uma “advertência que apela à razão”, etc. Não é de admirar, portanto, que abusemos da formulação que é uma fuga das consequências:

“o que tiver que ser, será”

  • O que significa tal formulação?

  • Veem nela a humildade do que fala, que reconhece a dependência de algo/alguém maior ou mais bem um homem que não acredita que possa influenciar o destino do mundo?

Tal formulação não tem muito em comum com o cristianismo. Deus não quer que vivamos no mundo e nos adaptemos humildemente ao que traz o “destino” e quanto melhor o fazemos mais se alegra Deus. Pelo contrário, talvez valha a pena lembrar estes fragmentos:

Leiamos:

E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: «Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.»

—Gn 1,27-28

Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens. E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe. E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles, e granjeou outros cinco talentos. Da mesma sorte, o que recebera dois, granjeou também outros dois. Mas o que recebera um, foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. E muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles. Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe outros cinco talentos, dizendo: “Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles.” E o seu senhor lhe disse: “Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.” E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: “Senhor, entregaste-me dois talentos; eis aqui outros dois talentos que granjeei com eles.” Disse-lhe o seu senhor: “Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.” Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: “Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.” Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: “Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros. Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos. Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado. Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.”

—Mt 25,14-30

  • Por que o servo que enterrou o talento revelou-se ser um mau servo?

(porque não tomou uma decisão, e fugiu perante ela – não quis arriscar e “ocupar-se” do movimento de capital e escolheu a evasão)

O cristão não diz “o que tiver que ser, será”, mas entra no mundo e com as suas decisões assume a responsabilidade pelo que será! Este é o nosso dever dado por Deus já no livro do Génesis.

  • Como entendes então as palavras “Jesus Cristo é o meu Senhor”?

Nota

captar e discutir o “slogan de oásis” – “Deus mais de uma vez me mostrou que Ele é o Senhor da minha vida e eu com as minhas decisões posso…”. Esta frase é pronunciada com a melhor intenção, mas no fundo passa para o outro lado e pode ser entendida como uma espécie de incapacitação!

Consequências – o outro lado da medalha

Por um lado, então, as consequências aparecem-nos como algo “ameaçador”, por outro somos chamados a causá-las. As consequências não são uma “maldição”, mas um dom graças ao qual precisamente podemos construir algo na terra (porque posso mudar algo!). Os efeitos da decisão são uma força real e poder para mudar o mundo. Associa-se aqui um poema conhecido talvez por alguns de vós da Sociedade dos Poetas Mortos:

(…) Que tu estás aqui — que existe a vida e a identidade,
Que prossegue o poderoso drama, e que tu podes contribuir com um verso.

—W. Whitman

  • Alguma vez antes de tomar uma decisão pensaste que as suas consequências são o Teu verso adicionado?

  • Olhas assim para as consequências? Como algo bom que te dá possibilidades?

  • Sabes enumerar as consequências das tuas escolhas das quais estás orgulhoso?

Nota

esta pergunta é também um desafio puramente psicológico – um teste se sabemos ver pequenas coisas boas na nossa vida e referi-las a “grandes assuntos e conteúdos”. Os animadores têm o dever de guiar os participantes para que encontrem algo assim. É um objetivo importante do encontro.

As consequências são um assunto forte que pode apavorar, mas dá também um horizonte de possibilidades.

Consequência – atitude de vida

Além das consequências das escolhas podemos falar da consequência como atitude de vida. Esta palavra de novo tem uma conotação positiva. “Ser uma pessoa consequente” – soa genial e todos gostariam de ouvir isto dirigido a eles.

  • Como se relaciona a atitude consequente com as consequências das escolhas?

A atitude consequente leva a sério os efeitos das suas escolhas anteriores, e não as trata como “atuais só no momento de tomá-las”.

A consequência (como atitude) é outra etapa que atesta a maturidade. Quando já:

  1. de maneira responsável e honesta buscamos e encontramos (retiro de advento)

  2. temos diante de nós várias possibilidades e tomamos uma decisão pensada e baseada em muitas premissas (retiro atual)

  3. então não deitamos tudo isso a que chegamos tão cuidadosamente ao esquecimento depois de 3 dias, mas tentamos manter esse bem o mais tempo possível

  • Sabemos ser consequentes?

  • Temos a experiência de que quando alguma decisão está bem preparada no ponto 1 e 2, perseverar nela consequentemente não vem mais tarde com tanta dificuldade?

Aviso

Animador: este é o momento para o Teu testemunho da decisão de perseverar na Igreja de Cristo como servo depois de uma preparação e discernimento de muitos anos! Não falamos aqui de metafísica, mas do que cada um de nós conhece perfeitamente. Eles esperam isto.

Resumo

Tomar decisões, assumir as suas consequências é o quotidiano de uma pessoa adulta. O cristão não só não foge disto, mas é a realização da sua vocação e uma oportunidade de santificar a sua vida. Sou responsável por cada ato e palavra minha e as suas consequências são para mim imprevisíveis (efeito borboleta). Quando me dou conta de tudo isto deveria fechar-me no meu quarto e ter medo de influenciar de qualquer maneira o mundo. Como pessoa crente, no entanto, sei que as minhas decisões não são indiferentes a Deus e ele as abençoa e guia. Quando agora leio estas palavras do esquema confio em que Deus não permitirá que por esta razão ninguém sofra perda na sua alma já que comecei este encontro com o sinal da Cruz. Isto mo dá a fé, por isso não me retirarei do mundo! – pelo contrário - como ninguém mais tenho predisposições para entrar nele e transformá-lo. Não posso desperdiçar um bem potencial tão grande que alguém me confiou.

Nota

como animador saberás melhor de que maneira apresentar isto ao grupo. Toma pois uma boa decisão e eu já dou graças a Deus pelas suas boas consequências.