Reunião 3 - O nascimento do Animador

Etiquetas: Missão, Serviço, Responsabilidade, Tempo, Trabalho com texto, Trabalho em grupo, Discussão, Formativo

Objetivo da Reunião

Tomar consciência do papel tão importante que cada um de nós tem a desempenhar no mundo e quão grande responsabilidade repousa sobre nós. Nós somos aqueles que, acesos, têm a tarefa de ir ao mundo e acender os outros. A consequência disso (mas não o objetivo supremo da reunião) é o envolvimento na organização do retiro de primavera.

Introdução para o animador

A reunião tem caráter de resumo. Não devem aparecer nela novos conteúdos, mas deve ser uma síntese de tudo o que foi transmitido no retiro. É muito importante nela o testemunho do animador sobre o seu próprio caminho para ser animador, sobre as pessoas que confiaram nele para que ele pudesse presentear essa confiança aos outros.

Materiais necessários para realizar a reunião:

  1. pequenos papéis vazios (5 para cada participante)

  2. cartões cortados com 20 valores escritos (1 “jogo” por grupo)

  3. texto da oração de São Francisco para cada participante

Oração

Espontânea ao Espírito Santo para que acenda em nós o desejo e o zelo para empreender o serviço.

Introdução à reunião

O tempo do retiro chega lentamente ao fim. Estamos convencidos de que ninguém se encontrou neste lugar por acaso. Queremos, pois, responder a algumas perguntas que resumem este tempo.

  • O que me levou a vir ao retiro?

  • Que esperanças vinculava com o tema do retiro?

  • Se e de que maneira essas esperanças encontraram reflexo na realidade?

  • Que momentos deste tempo foram os mais valiosos para mim? Porquê?

  • Como vivi a oração da noite de ontem?

Voltemos por um momento ao tema dos valores, de que se falou já no primeiro dia do retiro. Escrevamos nos papéis 5 valores que sabemos possuir.

Aviso

É muito possível que haja um participante a quem seja difícil escrever estes 5 valores (embora no 3º dia de retiro teoricamente devêssemos estar conscientes do valor que temos). Vale a pena em tal caso explicar que existem valores universais - tais que cada um de nós possui, que o valor é um conceito muito amplo e é bom olhar profundamente dentro de si mesmo e amplamente ao seu redor.

Quando todos o fizerem, o animador põe diante dos participantes um monte de cartões com os valores escritos abaixo.

  • honestidade

  • segurança

  • bens materiais

  • inteligência

  • realização

  • dignidade

  • verdade

  • amizade

  • família

  • vida

  • criatividade

  • bondade

  • liberdade

  • empatia

  • força

  • saúde

  • beleza

  • visão

  • tempo

  • língua

  • Acham que tudo isto é um valor?

  • Estes valores foram-vos dados em maior ou menor grau?

  • De quais podeis dizer com certeza que são Vossos?

Em seguida, deve-se apontar para o papel com a palavra “tempo” partindo do facto de que o tempo é um valor universal - é dado a cada ser humano.

O tempo é um dom

  • Que valor tem para Vós o tempo?

  • Na Vossa sensação 2-3h na perspetiva de meio ano é muito ou pouco?

  • Sois capazes de dedicar essas 2-3h a algo valioso?

  • O que se pode fazer realmente em tal tempo? Podemos dar alguns exemplos?

Nota

No caso de os participantes terem dificuldades em dar exemplos, deve-se guiá-los. É um elemento tão importante da reunião que não pode ser superficializado só porque “nada nos vem à cabeça”.

Tentemos imaginar as seguintes situações:

Aviso

Esta parte da reunião deve ser feita com base na interação - o animador dá a tarefa, e o grupo indica quanto tempo demora a sua execução. Vale a pena anotar estas respostas para somar depois

  1. Ida ao cinema:

    • Quanto tempo demora comprar os bilhetes (assumindo otimistamente que não há filas na bilheteira)? 5 min

    • Quanto duram os anúncios? 35 min

    • Quanto dura o filme? 2 h

    • Quanto dura o regresso a casa (assumindo que não vivemos no outro extremo da cidade)? 20 min

    • Quanto tempo nos dá tudo isto no total? 3 h

  2. Também se pode aproveitar este tempo da seguinte maneira: (Trata-se aqui da situação de gravar o vídeo TuTambém, no qual se cozia um bolo.)

    • Quanto dura pendurar sobre a mesa entre duas vigas duas cordas nas quais se pode pôr o tablet de forma segura? 15 min

    • Quanto dura reunir os objetos e ingredientes necessários para preparar o bolo: tabuleiro, tigela, colher grande, maçãs, canela, açúcar, farinha, fermento em pó, passas, margarina? 15 min

    • Quanto dura discutir o projeto de gravar o vídeo documentando a cozedura do bolo? 30 min

    • Quanto dura fazer o bolo: descascar e cortar as maçãs, misturá-las com todos os ingredientes e pôr no tabuleiro? 30 min

    • A cozedura não conta, porque se pode fazer outra coisa construtiva nesse tempo :)

    • Quanto dura a montagem do vídeo? 60 min

    • Quanto tempo nos dá isto no total? 2 h 30 min

O projeto acima é bastante simples de realizar porque um grupo de pessoas entusiasmadas com esta ideia o faz. Como poderia parecer esta situação se encontrássemos um grupo de céticos? Qual poderia ser a sua reação?

-Para quê?
-De qualquer maneira ninguém vai ver isso.
-E se o bolo se queima? Tanto trabalho para nada.
-E se não cresce?
-Não temos bom equipamento.
-Alguém pode fazê-lo melhor.
-De certeza que de qualquer maneira ninguém se vai envolver nisto.
-Tenho tanto trabalho… etc.
  • O que diferencia estes dois grupos de pessoas?

  • O que nos ajuda a criar projetos semelhantes, a participar neles?

  • Viram o vídeo de que se fala? Qual foi a Vossa receção deste projeto?

  • A Igreja é para Vós um espaço no qual vos podeis realizar desta maneira?

Esta é a nossa ação na Igreja - numa comunidade de pessoas que têm sonhos, ideais, metas e fé em que juntas são capazes de alcançá-los.

  • O que nos detém de fazer este tipo de coisas?

Muitas vezes o que determina a nossa ação na vida (ou a sua ausência) é o medo. Temos medo de sair da fila, fazer algo louco, algo que as pessoas julgarão. Jesus, no entanto, tem uma receita para isto. Leiamos:

Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas. Acautelai-vos, porém, dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios, e vos açoitarão nas suas sinagogas; E sereis até conduzidos à presença dos governadores, e dos reis, por causa de mim, para lhes servir de testemunho a eles, e aos gentios. Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como, ou o que haveis de falar, porque naquela mesma hora vos será ministrado o que haveis de dizer. Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós. E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho, e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão. E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo. Quando pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do homem.

—Mt 10, 16-23

Nota

As perguntas sobre os nossos medos, receios, sobre tudo o que de alguma maneira nos detém de agir são extremamente importantes. Partilhar isto não vem facilmente, mas enfrentar estas dificuldades é libertador e purificador.

  • De que tenho mais medo quando me envolvo em algo?

  • Como lido com este medo?

  • Tenho consciência de que em tudo o que faço, tenho Jesus do meu lado?

  • Como muda esta consciência a minha perspetiva e ação?

Quando fazemos algo importante para o mundo, há sempre inscrito nisso o risco de um fracasso maior ou menor - sempre algo não correrá bem (durante a gravação do vídeo com o bolo um monte de coisas não correu bem, do que podem testemunhar os que participaram nisso). É importante que os nossos medos não travem a nossa ação. Porque Deus é quem lidará com eles.

A luta do bem com o mal trava-se aqui e agora

  • Quando ouvimos falar da luta do bem com o mal, que imagens temos diante dos olhos?

  • É para nós algo distante, ou temos tal sensação (ou experiência) de que acontece perto de nós?

  • Que exemplos de tal luta nos vêm à cabeça?

Leiamos um trecho da constituição pastoral “Gaudium et spes” - um dos documentos mais importantes do Concílio Vaticano II:

Toda a vida humana, quer singular quer colectiva, se apresenta como uma luta dramática entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas. Mais ainda, o homem descobre-se incapaz de, por si mesmo, debelar de modo eficaz as arremetidas do mal; e assim, sente-se como que preso de correntes. Mas o Senhor mesmo veio para libertar o homem e fortalecê-lo, renovando-o interiormente e expulsando o príncipe deste mundo.

—Gaudium et spes, nr 37

  • Olho eu para a minha vida como uma luta?

  • Estou consciente de que é aqui e agora que se trava a luta pela vida ou pela morte (não só a minha, mas também daqueles que o Senhor Deus põe no meu caminho)?

A luta do bem com o mal não são apenas grandes eventos cheios de “efeitos especiais”. Não é algo que não nos diz respeito, com que nós não temos de lidar, porque afinal na nossa vida “não é tão mau”. De como passarmos por esta vida depende como o mundo funcionará aqui e agora e se no futuro alcançaremos a vida ou a morte.

Resumo: a minha vida é participação

  • Visto que indo pela vida sou responsável também pela vida de outros, como posso assumir esta responsabilidade?

  • O que significam para mim as palavras “o dom é dado e atribuído”?

Usar e transmitir os dons que recebemos não é para nós um luxo, mas um dever. Não podemos ser um “celeiro” de valores - se os acumularmos exclusivamente, simplesmente desperdiçar-se-ão (num celeiro velho e abandonado, no qual só se acumula, está sujo, húmido e existe uma grande probabilidade de roubo). Como homens, como cristãos, devemos ser transmissores de valores. Cada valor é um dom, uma graça que não provém de nós. Não podemos pois retê-la para nós mesmos - a nossa tarefa é partilhar isto com os outros. A mensagem de Jesus é inequívoca:

Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.

—Mt 7, 15-20

Olhemos para a figura de João Batista - uma pessoa que é uma das que mais plenamente conheceu e realizou a essência da transmissão da graça, que no centro de toda a sua ação punha a realização da missão de Deus, levava discípulos a Jesus e aí terminava o seu papel:

No dia seguinte João estava outra vez ali, e dois dos seus discípulos; E, vendo passar a Jesus, disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus. E os dois discípulos ouviram-no dizer isto, e seguiram a Jesus. E Jesus, voltando-se e vendo que eles o seguiam, disse-lhes: Que buscais? E eles disseram: Rabi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde moras? Ele lhes disse: Vinde, e vede. Foram, e viram onde morava, e ficaram com ele aquele dia; e era já quase a hora décima. Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram aquilo de João, e o haviam seguido. Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo). E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro).

—Jo 1, 35-42

  • Quais são as dependências entre as pessoas que aparecem neste trecho do Evangelho?

João Batista - os seus discípulos (incluindo André) - Simão Pedro

  • A que levaram as dependências entre estas pessoas?

João Batista mostrou aos seus discípulos Jesus e (simbolicamente) levou-os a Ele (aí terminou o seu papel, uma vez que os discípulos ficaram com Jesus). Um deles - André foi ter com o seu irmão e levou-o a Jesus. E sobre ele Jesus algum tempo depois construiu a Igreja.

Exatamente ao mesmo nos chama Jesus. Ele quer fazer em nós, mas também através de nós grandes coisas (Cf. Jo 14, 12: Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai). Se os apóstolos não se tivessem sentido responsáveis por atrair os outros a Jesus, a história poderia ter corrido de maneira completamente diferente. Ninguém o fará por nós - somos nós que, acesos, temos de ir e acender os outros.

A isto queremos agora convidar-vos. Visto que durante esta reunião pudemos nomear diferentes projetos que requerem de nós dedicar 2-3h uma vez a cada meio ano, imaginemos quantas coisas fantásticas surgirão se mais de 60 pessoas que participam neste retiro realmente dedicarem este tempo e energia. No final de fevereiro e março organizamos um retiro, no qual um monte de jovens encontrará Jesus. Precisamos do vosso tempo e da vossa energia. Pedimos-vos ajuda com plena consciência de que é o vosso tempo. Queremos ir convosco ombro a ombro e juntos fazer coisas grandes e boas.

Aplicação

A aplicação desta reunião será um compromisso concreto na preparação do retiro de primavera. Cada um pode fazê-lo, claro, em liberdade. Não é que o retiro permaneça um tempo perdido sem se envolver na primavera. No entanto, queremos dar aos participantes um sinal claro de que acreditamos neles, que contamos com eles e estamos convencidos de que indo ombro a ombro podemos fazer muito.

Oração

Para terminar rezemos a oração de São Francisco de Assis pedindo que sempre - sem olhar ao que fazemos - sejamos aqueles que “se possuem no dar-se”.

Senhor, fazei de mim um instrumento da Vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe.
É perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

Por Cristo nosso Senhor.
Amém.