Encontro 3. - O nosso coração está inquieto até descansar no Senhor¶
Objetivo do Encontro¶
Resumo e extração de conclusões dos últimos 2 dias:
Deus é o criador de parte dos meus desejos
eu sou o objeto dos desejos de Deus
na relação com Deus podem cumprir-se todos os desejos do meu coração
Preparação (na medida do possível) para a vida quotidiana considerando estas descobertas
Deus não só quer cumprir os nossos desejos, mas também formá-los
A terra não é o céu e aqui sentiremos sempre desejos
Ênfase no papel da comunidade
Introdução para o animador¶
O último dia do retiro tem uma tendência natural para “relaxar”. No dia de hoje o encontro grupal desempenha o papel mais importante em manter o retiro na temática que propomos. Se aqui não mantivermos uma análise concreta do problema, o dia de hoje aos olhos dos participantes perderá “o seu traço” e tornar-se-á simplesmente no “último dia”.
Oração inicial¶
Adaptada às possibilidades do grupo.
Partilhar a experiência do dia anterior¶
Alegram-se por ter podido confiar ontem a Jesus os vossos desejos? Por que motivo concretamente?
Acreditam que tal oração pode mudar algo realmente na vida? De que maneira? Ou talvez já mudou algo?
Introdução - será que Santo Agostinho não exagerou sobre Deus?¶
Lembremos:
Criaste-nos, ó Deus, orientados para Ti. E o nosso coração está inquieto, até descansar no Senhor
—Santo Agostinho
Será que desde ontem de repente todas as nossas inquietações do coração, desejos, etc. foram satisfeitos?
Por que nem tudo mudou?
As cruzes que apareceram no labirinto são na realidade a essência do encontro de hoje. Queremos falar sobre se o seu aparecimento lá é apenas teoria e um “bonito símbolo” ou é realmente para nós um reflexo de certa verdade.
A ação de Deus é sábia¶
Imaginem que uma criança pequena vos pede muitas coisas (deseja algo). Vocês podem responder a esses desejos ou segundo o pensamento da criança ou não. Tentemos criar uma lista de razões pelas quais poderíamos fazer algo não segundo os desejos dessa criança e demos um exemplo. (criamos juntos uma lista mais ou menos assim):
Desejo da criança |
Razão da recusa |
|---|---|
Brincar com um ferro de engomar quente |
Sei que este desejo não conduz a nada de bom, porque o ferro não serve para brincar |
Quero ver um filme sobre Katyn |
O desejo é bom, mas antes de atingir certa idade a criança não deveria ver certas cenas por isso atualmente recuso |
Quero receber 0.1kg de doces |
O desejo não é mau, mas recuso, porque sei que em 2h receberá um bolo de aniversário e deveria deixar lugar na barriga |
É importante guiar o grupo de tal maneira que saiam pelo menos estas 3 razões de recusa!
O grupo tenta por si mesmo traduzir estas razões de recusa para a vida espiritual. TAMBÉM dando exemplos.
Conclusão: Deus como infinito na sua sabedoria sabe melhor o que é melhor para nós.
Surge a pergunta:
Então para que nos servem os nossos desejos? Poderia Deus não os ter posto no nosso coração e “encaixaríamos sempre” nos seus desígnios? (discussão)
A ação de Deus quer transformar¶
O homem possui desejos porque somos criados à imagem de Deus, que desejou (nem que seja criar o homem). Qual é então o papel dos nossos desejos atualmente? Deus mesmo responde a isso!
Deleita-te no Senhor, e Ele conceder-te-á as petições do teu coração.Entrega o teu caminho ao Senhor e confia n’Ele: Ele mesmo agirá.—Sl 37,4-5
Para que Deus aja é preciso primeiro confiar-lhe o seu caminho. Muito frequentemente perguntamos sobre isso na Igreja de maneira geral – se entregaste a tua vida a Jesus, etc. Hoje no contexto deste retiro queremos perguntar muito precisamente:
Permito a Deus transformar os meus próprios desejos?
Por que precisamente entregar-lhe estas questões é tão difícil?
O que te parece – entregar que desejos a Deus é o mais difícil?
Acredito que se todos os meus desejos fossem formados por Deus seria um homem feliz?
(Talvez alguém do grupo tenha experiência de tal “trabalho com Deus” referente a algum dos seus desejos. Se sim, seria um enorme enriquecimento deste encontro que o partilhasse com o grupo!)
A ação de Deus é em resposta ao diálogo¶
No assunto dos desejos vale a pena contar neste lugar tal (conhecida) história.
Durante um pequeno-almoço solene por ocasião das bodas de ouro matrimoniais, a esposa pensou: “Há cinquenta anos cedo sempre ao meu marido a parte superior e estaladiça do pão, hoje tenho direito a fazer um banquete com esta iguaria favorita”. E tomou a parte superior do pão, a parte inferior deu-a ao marido. Perante isto o velhote beijou com alegria a mão da sua esposa e confessou: “Querida, deste-me a alegria do dia. Cinquenta anos não comi a parte inferior do pão, embora seja o que mais gosto. Todo o tempo pensei que como tu gostas tanto, tu tens prioridade sobre ela”.
—Anónimo
Tal é o efeito de não falar sobre os desejos entre as pessoas. Entre nós e Deus é semelhante porque Deus, apesar de ser omnisciente, respeita a nossa liberdade e sem conversar connosco sobre os nossos desejos não pode agir como queria.
Falo com Deus sobre os meus desejos?
Falo com Deus sobre os seus desejos para comigo?
Que conversa me vem mais facilmente? Porquê?
Tal oração é também “natural”. Falamos nela sobre o que se passa agora em nós, é uma conversa normal. É um começo perfeito para aprofundar na oração!
Nota
momento difícil do encontro!
Escrevamos cada um nas nossas folhas 3-5 dos nossos desejos, que segundo discernimos requerem na nossa vida ser “falados” mais urgentemente com Jesus. Depois tentemos partilhar isso mutuamente – lendo em voz alta. Claro que não há obrigação – pode-se NÃO ler.
A insatisfação na terra é natural e boa¶
Leiamos:
E um dos Anciãos falou dizendo-me:«Estes que estão vestidos com vestiduras brancas, quem são e de onde vieram?»E eu disse-lhe:«Meu senhor, tu o sabes». E ele disse-me:«Estes são os que vêm da grande tribulação, e lavaram as suas vestidurase as branquearam no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono de Deuse servem-no dia e noite no seu templo;e aquele que está sentado no trono estenderá o seu tabernáculo sobre eles.Já não terão fome nem sede, nem o sol os ferirá, nem nenhum calor;porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e os guiará a fontes de águas da vida;e Deus enxugará toda a lágrima dos seus olhos».—Ap 7,13-17
Deus garante-nos que no céu em comunhão com ele já não desejaremos nada – teremos tudo. Por isso são verdadeiras as palavras de Santo Agostinho.
A que bem pode servir a não satisfação de todos os desejos na terra?
Podes dar algum exemplo da tua vida de que um desejo não cumprido serve para o bem?
De que maneira o desejo em si mesmo (não cumprido) me aproxima de Deus? (concreto!)
Aplicação – papel da comunidade¶
De facto – empreender o esforço de tal vida com Deus “a 100%” é muito difícil. Mas literalmente não estamos sós nesta dificuldade – temos a nós. Gostaríamos aqui neste retiro de “tocar” o que é a nossa comunidade.
Os participantes dão a si mesmos tarefas para o dia de hoje, cada um duas – uma muito prática, uma espiritual. As tarefas devem ter relação com o tema do retiro. Quando inventar as tarefas, peço que as aceitem duas pessoas do grupo (o animador cuida para que as pessoas recebam “por igual”). Objetivo deste ponto – ajuda mútua (em responsabilidade) para conhecer cada vez melhor a Cristo.
A tarefa não é simples e é preciso destinar a ela uns 10 minutos para que os participantes inventem as tarefas.
Exemplo:
- Prática:
No momento em que quiseres fazer algo muito o dia de hoje, adiá-lo-ás no tempo 2 minutos e irás à capela rezar pelos testemunhos que estão diante de nós (força de vontade)
- Espiritual:
durante 3 dias depois de Babice abrirás o NT e lerás durante um mínimo de 10 minutos.