Encontro 4. - Glorificado ou o quê?

Etiquetas: Espiritualidade, Oração, Maturidade, Trabalho com texto, Formativo

Introdução para o animador e objetivos

Temos já quase todo o retiro para trás. No encontro de grupo de domingo vale a pena colocar grande ênfase na partilha do próprio olhar e da própria experiência de oração (não apenas da oração de louvor). Durante o retiro também ouvimos testemunhos; podemos remeter para eles e também dar nós mesmos testemunho daquilo que já recebemos. Esta é uma parte importante deste encontro, por isso pode ser prolongada à custa, por exemplo, da forma de ativação. Também é importante que cada participante parta com uma aplicação escolhida e escrita por si. As perguntas presentes neste esquema são apenas orientadoras; não é necessário fazer todas.

Tempo do encontro: 1h 20min

Objetivos do encontro:

  • Descobrir a ”plenitude” e a ”coerência” em todas as atitudes de oração

  • Sublinhar o papel do louvor na oração

  • Homem novo – o louvor como totalidade da vida

Oração e introdução

Oração espontânea que resume as formas de oração já conhecidas e trabalhadas até aqui. Breve:

  • Ação de graças

  • Súplica

  • Pedido de perdão

Terminar com “Glória ao Pai”.

Ontem participámos em oficinas de oração. Podemos remeter para elas nas nossas perguntas iniciais. Lembremo-nos de não exercer pressão quanto à resposta que nós gostaríamos de ouvir. Para nem todos este momento do retiro teve de ser um ponto de viragem ou um momento particularmente importante. Queremos, porém, sublinhar o papel deste método de trabalho com a Palavra – o carácter imagético e plástico dos textos bíblicos permite-nos descobrir nuances até aqui desconhecidas contidas nas cenas da Sagrada Escritura. Podemos perguntar pelas reflexões que surgiram nos participantes durante as oficinas de ontem.

  • Que lugar no trecho analisado me permitiu ver as imagens da Sagrada Escritura sob uma luz nova?

  • Esta oficina deu-me alegria? A sua plasticidade associou-se, para mim, à infância e ao brincar com palavras, associações?

  • Foi isto para mim útil, intrigante? Porquê?

  • De que modo Deus está presente também numa forma destas de trabalho com a Palavra?

O papel do louvor na oração

Para muitos de nós, o louvor continua a ser algo desconhecido ou, no melhor dos casos, algo ainda não totalmente descoberto. Nesta parte tentaremos dizer um pouco mais sobre este tipo de oração.

O Catecismo da Igreja Católica recorda-nos que:

“O louvor é a forma de oração em que o homem reconhece mais diretamente que Deus é Deus. Canta-O por Ele mesmo, dá-Lhe glória não tanto por aquilo que Ele faz, mas porque Ele É. Participa da felicidade dos corações puros que O amam na fé, antes de O contemplarem na glória. Por ele, o Espírito une-Se ao nosso espírito para testemunhar que somos filhos de Deus; dá testemunho ao Filho único, em quem fomos adotados e por quem glorificamos o Pai. O louvor integra as outras formas de oração e leva-as Àquele que é a sua fonte e o seu fim: «para nós há um só Deus, o Pai, de quem tudo procede e para quem nós existimos» (1 Cor 8,6) (CIC 2639).”

O louvor permite-nos abandonar esquemas gastos; afinal, foi para isso que fomos criados – para honrar e louvar a Deus com cada um dos nossos fôlegos! O louvor é para nós uma grande escola: liberta-nos de pensar em categorias de “dá-me”. Demasiadas vezes precisamos de Deus para que nos dê os seus dons, para que nos apoie; não nos aproximamos para ser para Ele mesmo! LOUVOR – É “ESTOU” PARA TI, DEUS! Vale a pena descobrir a força e o caráter desta oração… Quando louvamos a Deus, tornamo-nos para Ele “disponíveis”, “acessíveis”. Estamos prontos para tudo aquilo que Deus nos quiser revelar.

“O louvor é aquele momento em que, finalmente, deixo de dizer a Deus quão grandes são os meus problemas e começo a dizer aos meus problemas quão grande é Deus.”

Louvar a Deus permite-nos libertar-nos de muitas coisas e também ver toda a nossa vida de forma um pouco diferente. Depois do louvor somos pessoas diferentes, mais alegres. O Papa Francisco diz-o claramente: “É simples rezar pedindo graças. Mais difícil é a oração de louvor, mas é precisamente ela a oração da verdadeira alegria. Ela traz-nos a alegria de ser felizes diante do Senhor”. A oração de louvor é oração da memória daquilo que o Senhor fez por nós. Diante dos nossos olhos passa então toda a história da salvação.

Outro fruto visível do louvor é a libertação das preocupações. Entro pesado, saio leve. As preocupações não deixam de existir, mas agora mergulhámo-las no louvor. Isto não é o mesmo que resolver o problema, mas vejo o problema sob uma luz completamente diferente. É uma oportunidade para a ação de Deus. A minha esperança está posta em Deus – deixo de me preocupar. Louvar significa que olho para aquilo que Deus faz e não para aquilo que eu faço.

Perguntas para partilha

  • Com que é que te associas quando pensas em oração de louvor?

  • Em que se distingue, para ti, o louvor da ação de graças?

  • Para ti, é mais fácil pedir a Deus ou louvá-Lo? Porquê?

  • O que muda em ti quando, em vez de te concentrares nos teus problemas, olhas para Deus?

Louvor na Eucaristia

  • “Glória a Deus nas alturas é um hino antiquíssimo e venerável em que a Igreja, reunida no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro.” /IGMR 53/

  • O silêncio após a Comunhão é também um espaço privilegiado de louvor.

  • “Depois da distribuição da Sagrada Comunhão, conforme as circunstâncias, o sacerdote e os fiéis rezam algum tempo em silêncio. Se for oportuno, toda a assembleia pode também cantar um salmo, outro cântico de louvor ou um hino.” /IGMR 88/

  • “Depois da Comunhão, conforme as circunstâncias, segue-se um ato de louvor. Não se devem realizar outras ações nesse momento. A assembleia pode cantar um salmo, outro cântico de louvor ou um hino. Também é admissível música instrumental ou uma peça adequada executada pelo coro.”

Manifestações do louvor na Sagrada Escritura

Na Sagrada Escritura há muitos trechos que falam de louvor. Recordemos alguns:

  • Podemos louvar a Deus com a nossa língua. São Tiago, na sua carta (Tg 3,3-12), sublinha que não podemos ao mesmo tempo bendizer e amaldiçoar, se temos uma só língua. «Pode, porventura, brotar da mesma fonte água doce e água amarga?»

  • Podemos louvar a Deus cumprindo a sua vontade. Jesus diz, na sua missão: «Eu glorifiquei-Te na terra, levando a termo a obra que Me deste a realizar» (Jo 17,4).

  • Podemos louvar a Deus com o corpo vivido em santidade: «Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo? Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo» (1 Cor 6,19-20).

  • Podemos louvar a Deus com perseverança na oração. O apelo «Rezai sem cessar» (1 Ts 5,17) mostra que o louvor não precisa de ser só um arrepio passageiro: pode tornar-se atitude do coração.

  • Maria, no Magnificat, é modelo de louvor: com tudo o que é, dirige o olhar a Deus, recorda as suas obras e deixa que Ele fique no centro.

Perguntas para partilha

  • Qual destas imagens bíblicas de louvor me está hoje mais próxima?

  • Em que situações me é mais fácil louvar a Deus?

  • O que em mim mais dificulta o louvor: distração, medo, pressa, excesso de foco em mim mesmo?

Homem novo – o louvor como totalidade da vida

Nas páginas da Sagrada Escritura, o louvor é ao mesmo tempo promessa – nos Salmos, realização – na ação de Jesus, e consumação final de tudo – no Apocalipse. Não é um acrescento à vida de fé, mas o seu coração.

Cabe aqui falar da integridade e da coerência entre oração e vida: o tema do retiro conduz-nos a unir luz e vida. A fé não é um fragmento à parte, uma «contramão» em relação ao quotidiano, mas permeia a vida inteira.

Se o louvor é parte inseparável da vida, podemos aprender a viver nesta chave os momentos centrais do quotidiano: batismo, matrimónio, ordenação, trabalho, escola, relações, contacto com a natureza, bem como a maneira de viver o sofrimento e a morte. O louvor não se reduz, pois, ao canto nem a uma emoção determinada, mas ao dar glória a Deus, de modo cada vez mais pleno, com toda a vida.

«Se conheceste a Deus e te encantaste com Ele, não suspires «ah, ah, ah», mas escolhe.»

«O fim do homem é a glória de Deus.»

«O homem foi criado para louvar, honrar e servir o Senhor Deus e, assim, salvar a sua alma.»

Perguntas para partilha

  • Onde na minha vida separo mais a oração do quotidiano?

  • Em que espaços concretos o louvor pode tornar-se mais integral?

  • Que escolha concreta me ajudará, depois do retiro, a dar mais glória a Deus?

Resumo e aplicação

O objetivo de cada uma das atitudes de oração com que nos encontramos neste retiro é, em última análise, o louvor, isto é, a orientação do coração para Aquele que É, a concentração na sua pessoa e a entrega da glória a Ele.

O louvor na vida quotidiana consiste na integralidade da Palavra acolhida e na sua tradução em vida. Isto não é outra coisa senão fos-zoe, a Luz que penetra a vida, todas as suas atitudes. Não é simplesmente “ser bom”; é aperfeiçoar-se no amor a Deus, um amor que conduz ao encanto pela sua Presença, pelo simples fato de que Ele é.

A aplicação deve nascer do encontro – este é o momento em que já conhecemos o nosso grupo e podemos perceber o que lhes fará bem / eles próprios podem dizer o que gostariam de introduzir na vida.

Pode-se, porém, propor uma análise das próprias atitudes: o que, na minha vida, não está necessariamente em sintonia com o louvor do Criador? É importante que cada participante encontre uma atitude sobre a qual quer trabalhar, a nomeie concretamente e introduza mudanças.

(Exemplo: Depois de terminar a refeição, colocarei a louça na máquina e não a deixarei em cima do balcão, o que irrita imenso os outros lá de casa)

Além disso, pode-se decidir com o grupo ler e meditar, neste contexto, a Carta de São Tiago. A carta tem 5 capítulos; pode ser, por exemplo, um capítulo por semana – e, com base nessa meditação, escolher um comportamento concreto que eu gostaria de mudar na minha vida.

A Carta de São Tiago mostra muito bem o que é a integralidade do homem:

«Da mesma boca saem bênção e maldição. Meus irmãos, isto não está certo! Acaso pode, meus irmãos, uma mesma fonte jorrar água doce e água salgada? Pode, porventura, a figueira dar azeitonas, ou a videira figos? Assim, tampouco uma fonte salgada pode dar água doce.»

—Tg 3,10-12

Oração para o final

Louvar a Deus por aquilo que já realizou neste retiro, na sua presença e na comunidade que juntos formamos.