Reunião 3 - O nascimento do Animador ************************************ .. tags:: conteudo|missao|Missão, conteudo|servico|Serviço, conteudo|responsabilidade|Responsabilidade, conteudo|tempo|Tempo, metodo|trabalho-com-texto|Trabalho com texto, metodo|trabalho-em-grupo|Trabalho em grupo, metodo|discussao|Discussão, tipo|formativo|Formativo Objetivo da Reunião =================== Tomar consciência do papel tão importante que cada um de nós tem a desempenhar no mundo e quão grande responsabilidade repousa sobre nós. Nós somos aqueles que, acesos, têm a tarefa de ir ao mundo e acender os outros. A consequência disso (mas não o objetivo supremo da reunião) é o envolvimento na organização do retiro de primavera. Introdução para o animador ========================== A reunião tem caráter de resumo. Não devem aparecer nela novos conteúdos, mas deve ser uma síntese de tudo o que foi transmitido no retiro. É muito importante nela o testemunho do animador sobre o seu próprio caminho para ser animador, sobre as pessoas que confiaram nele para que ele pudesse presentear essa confiança aos outros. Materiais necessários para realizar a reunião: 1. pequenos papéis vazios (5 para cada participante) 2. cartões cortados com 20 valores escritos (1 "jogo" por grupo) 3. texto da oração de São Francisco para cada participante Oração ====== Espontânea ao Espírito Santo para que acenda em nós o desejo e o zelo para empreender o serviço. Introdução à reunião ==================== O tempo do retiro chega lentamente ao fim. Estamos convencidos de que ninguém se encontrou neste lugar por acaso. Queremos, pois, responder a algumas perguntas que resumem este tempo. * O que me levou a vir ao retiro? * Que esperanças vinculava com o tema do retiro? * Se e de que maneira essas esperanças encontraram reflexo na realidade? * Que momentos deste tempo foram os mais valiosos para mim? Porquê? * Como vivi a oração da noite de ontem? Voltemos por um momento ao tema dos valores, de que se falou já no primeiro dia do retiro. Escrevamos nos papéis 5 valores que sabemos possuir. .. warning:: É muito possível que haja um participante a quem seja difícil escrever estes 5 valores (embora no 3º dia de retiro teoricamente devêssemos estar conscientes do valor que temos). Vale a pena em tal caso explicar que existem valores universais - tais que cada um de nós possui, que o valor é um conceito muito amplo e é bom olhar profundamente dentro de si mesmo e amplamente ao seu redor. Quando todos o fizerem, o animador põe diante dos participantes um monte de cartões com os valores escritos abaixo. .. hlist:: :columns: 5 * honestidade * segurança * bens materiais * inteligência * realização * dignidade * verdade * amizade * família * vida * criatividade * bondade * liberdade * empatia * força * saúde * beleza * visão * tempo * língua * Acham que tudo isto é um valor? * Estes valores foram-vos dados em maior ou menor grau? * De quais podeis dizer com certeza que são Vossos? Em seguida, deve-se apontar para o papel com a palavra "tempo" partindo do facto de que o tempo é um valor universal - é dado a cada ser humano. O tempo é um dom ================ * Que valor tem para Vós o tempo? * Na Vossa sensação 2-3h na perspetiva de meio ano é muito ou pouco? * Sois capazes de dedicar essas 2-3h a algo valioso? * O que se pode fazer realmente em tal tempo? Podemos dar alguns exemplos? .. note:: No caso de os participantes terem dificuldades em dar exemplos, deve-se guiá-los. É um elemento tão importante da reunião que não pode ser superficializado só porque "nada nos vem à cabeça". Tentemos imaginar as seguintes situações: .. warning:: Esta parte da reunião deve ser feita com base na interação - o animador dá a tarefa, e o grupo indica quanto tempo demora a sua execução. Vale a pena anotar estas respostas para somar depois 1. Ida ao cinema: * Quanto tempo demora comprar os bilhetes (assumindo otimistamente que não há filas na bilheteira)? **5 min** * Quanto duram os anúncios? **35 min** * Quanto dura o filme? **2 h** * Quanto dura o regresso a casa (assumindo que não vivemos no outro extremo da cidade)? **20 min** * Quanto tempo nos dá tudo isto no total? **3 h** 2. Também se pode aproveitar este tempo da seguinte maneira: (Trata-se aqui da situação de gravar o vídeo TuTambém, no qual se cozia um bolo.) * Quanto dura pendurar sobre a mesa entre duas vigas duas cordas nas quais se pode pôr o tablet de forma segura? **15 min** * Quanto dura reunir os objetos e ingredientes necessários para preparar o bolo: tabuleiro, tigela, colher grande, maçãs, canela, açúcar, farinha, fermento em pó, passas, margarina? **15 min** * Quanto dura discutir o projeto de gravar o vídeo documentando a cozedura do bolo? **30 min** * Quanto dura fazer o bolo: descascar e cortar as maçãs, misturá-las com todos os ingredientes e pôr no tabuleiro? **30 min** * A cozedura não conta, porque se pode fazer outra coisa construtiva nesse tempo :) * Quanto dura a montagem do vídeo? **60 min** * Quanto tempo nos dá isto no total? **2 h 30 min** O projeto acima é bastante simples de realizar porque um grupo de pessoas entusiasmadas com esta ideia o faz. Como poderia parecer esta situação se encontrássemos um grupo de céticos? Qual poderia ser a sua reação? | -Para quê? | -De qualquer maneira ninguém vai ver isso. | -E se o bolo se queima? Tanto trabalho para nada. | -E se não cresce? | -Não temos bom equipamento. | -Alguém pode fazê-lo melhor. | -De certeza que de qualquer maneira ninguém se vai envolver nisto. | -Tenho tanto trabalho... etc. * O que diferencia estes dois grupos de pessoas? * O que nos ajuda a criar projetos semelhantes, a participar neles? * Viram o vídeo de que se fala? Qual foi a Vossa receção deste projeto? * A Igreja é para Vós um espaço no qual vos podeis realizar desta maneira? Esta é a nossa ação na Igreja - numa comunidade de pessoas que têm sonhos, ideais, metas e fé em que juntas são capazes de alcançá-los. * O que nos detém de fazer este tipo de coisas? Muitas vezes o que determina a nossa ação na vida (ou a sua ausência) é o medo. Temos medo de sair da fila, fazer algo louco, algo que as pessoas julgarão. Jesus, no entanto, tem uma receita para isto. Leiamos: Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas. Acautelai-vos, porém, dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios, e vos açoitarão nas suas sinagogas; E sereis até conduzidos à presença dos governadores, e dos reis, por causa de mim, para lhes servir de testemunho a eles, e aos gentios. Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como, ou o que haveis de falar, porque naquela mesma hora vos será ministrado o que haveis de dizer. Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós. E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho, e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão. E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo. Quando pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do homem. -- Mt 10, 16-23 .. note:: As perguntas sobre os nossos medos, receios, sobre tudo o que de alguma maneira nos detém de agir são extremamente importantes. Partilhar isto não vem facilmente, mas enfrentar estas dificuldades é libertador e purificador. * De que tenho mais medo quando me envolvo em algo? * Como lido com este medo? * Tenho consciência de que em tudo o que faço, tenho Jesus do meu lado? * Como muda esta consciência a minha perspetiva e ação? Quando fazemos algo importante para o mundo, há sempre inscrito nisso o risco de um fracasso maior ou menor - sempre algo não correrá bem (durante a gravação do vídeo com o bolo um monte de coisas não correu bem, do que podem testemunhar os que participaram nisso). É importante que os nossos medos não travem a nossa ação. Porque Deus é quem lidará com eles. A luta do bem com o mal trava-se aqui e agora ============================================= * Quando ouvimos falar da luta do bem com o mal, que imagens temos diante dos olhos? * É para nós algo distante, ou temos tal sensação (ou experiência) de que acontece perto de nós? * Que exemplos de tal luta nos vêm à cabeça? Leiamos um trecho da constituição pastoral "Gaudium et spes" - um dos documentos mais importantes do Concílio Vaticano II: Toda a vida humana, quer singular quer colectiva, se apresenta como uma luta dramática entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas. Mais ainda, o homem descobre-se incapaz de, por si mesmo, debelar de modo eficaz as arremetidas do mal; e assim, sente-se como que preso de correntes. Mas o Senhor mesmo veio para libertar o homem e fortalecê-lo, renovando-o interiormente e expulsando o príncipe deste mundo. -- Gaudium et spes, nr 37 * Olho eu para a minha vida como uma luta? * Estou consciente de que é aqui e agora que se trava a luta pela vida ou pela morte (não só a minha, mas também daqueles que o Senhor Deus põe no meu caminho)? A luta do bem com o mal não são apenas grandes eventos cheios de "efeitos especiais". Não é algo que não nos diz respeito, com que nós não temos de lidar, porque afinal na nossa vida "não é tão mau". De como passarmos por esta vida depende como o mundo funcionará aqui e agora e se no futuro alcançaremos a vida ou a morte. Resumo: a minha vida é participação =================================== * Visto que indo pela vida sou responsável também pela vida de outros, como posso assumir esta responsabilidade? * O que significam para mim as palavras "o dom é dado e atribuído"? Usar e transmitir os dons que recebemos não é para nós um luxo, mas um dever. Não podemos ser um "celeiro" de valores - se os acumularmos exclusivamente, simplesmente desperdiçar-se-ão (num celeiro velho e abandonado, no qual só se acumula, está sujo, húmido e existe uma grande probabilidade de roubo). Como homens, como cristãos, devemos ser transmissores de valores. Cada valor é um dom, uma graça que não provém de nós. Não podemos pois retê-la para nós mesmos - a nossa tarefa é partilhar isto com os outros. A mensagem de Jesus é inequívoca: Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. -- Mt 7, 15-20 Olhemos para a figura de João Batista - uma pessoa que é uma das que mais plenamente conheceu e realizou a essência da transmissão da graça, que no centro de toda a sua ação punha a realização da missão de Deus, levava discípulos a Jesus e aí terminava o seu papel: No dia seguinte João estava outra vez ali, e dois dos seus discípulos; E, vendo passar a Jesus, disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus. E os dois discípulos ouviram-no dizer isto, e seguiram a Jesus. E Jesus, voltando-se e vendo que eles o seguiam, disse-lhes: Que buscais? E eles disseram: Rabi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde moras? Ele lhes disse: Vinde, e vede. Foram, e viram onde morava, e ficaram com ele aquele dia; e era já quase a hora décima. Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram aquilo de João, e o haviam seguido. Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo). E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro). -- Jo 1, 35-42 * Quais são as dependências entre as pessoas que aparecem neste trecho do Evangelho? João Batista - os seus discípulos (incluindo André) - Simão Pedro * A que levaram as dependências entre estas pessoas? João Batista mostrou aos seus discípulos Jesus e (simbolicamente) levou-os a Ele (aí terminou o seu papel, uma vez que os discípulos ficaram com Jesus). Um deles - André foi ter com o seu irmão e levou-o a Jesus. E sobre ele Jesus algum tempo depois construiu a Igreja. Exatamente ao mesmo nos chama Jesus. Ele quer fazer em nós, mas também através de nós grandes coisas (Cf. Jo 14, 12: Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai). Se os apóstolos não se tivessem sentido responsáveis por atrair os outros a Jesus, a história poderia ter corrido de maneira completamente diferente. Ninguém o fará por nós - somos nós que, acesos, temos de ir e acender os outros. **A isto queremos agora convidar-vos. Visto que durante esta reunião pudemos nomear diferentes projetos que requerem de nós dedicar 2-3h uma vez a cada meio ano, imaginemos quantas coisas fantásticas surgirão se mais de 60 pessoas que participam neste retiro realmente dedicarem este tempo e energia. No final de fevereiro e março organizamos um retiro, no qual um monte de jovens encontrará Jesus. Precisamos do vosso tempo e da vossa energia. Pedimos-vos ajuda com plena consciência de que é o vosso tempo. Queremos ir convosco ombro a ombro e juntos fazer coisas grandes e boas.** Aplicação ========= A aplicação desta reunião será um compromisso concreto na preparação do retiro de primavera. Cada um pode fazê-lo, claro, em liberdade. Não é que o retiro permaneça um tempo perdido sem se envolver na primavera. No entanto, queremos dar aos participantes um sinal claro de que acreditamos neles, que contamos com eles e estamos convencidos de que indo ombro a ombro podemos fazer muito. Oração ====== Para terminar rezemos a oração de São Francisco de Assis pedindo que sempre - sem olhar ao que fazemos - sejamos aqueles que "se possuem no dar-se". | Senhor, fazei de mim um instrumento da Vossa paz. | Onde houver ódio, que eu leve o amor. | Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. | Onde houver discórdia, que eu leve a união. | Onde houver dúvidas, que eu leve a fé. | Onde houver erro, que eu leve a verdade. | Onde houver desespero, que eu leve a esperança. | Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. | Onde houver trevas, que eu leve a luz. | **Ó Mestre, fazei que eu procure mais:** | **consolar, que ser consolado;** | **compreender, que ser compreendido;** | **amar, que ser amado.** | **Pois é dando que se recebe.** | É perdoando que se é perdoado. | E é morrendo que se vive para a vida eterna. | | Por Cristo nosso Senhor. | Amém.