Encontro 2. - O olhar de Deus sobre o homem ******************************************* .. tags:: conteudo|amor|Amor, conteudo|verdade|Verdade, conteudo|identidade|Identidade, conteudo|maturidade|Maturidade, conteudo|cruz|Cruz, metodo|trabalho-com-texto|Trabalho com texto, metodo|discussao|Discussão, tipo|formativo|Formativo Introdução para o Animador =========================== O homem não pode viver sem amor. O homem permanece para si mesmo um ser incompreensível, sua vida é desprovida de sentido, se não se lhe revelar o Amor, se não se encontrar com o Amor, se não o tocar e não o tornar de alguma forma seu, se não encontrar nele participação viva. E é por isso que Cristo - Redentor, (...) revela plenamente o homem ao homem. Este é o - se assim se pode expressar - dimensão humana do Mistério da Redenção. O homem encontra nele sua própria grandeza, dignidade e valor de sua humanidade. O homem é no Mistério da Redenção novamente confirmado, por assim dizer, expresso novamente. Criado novamente! Não há mais judeu nem pagão, não há mais escravo nem homem livre, não há mais homem nem mulher, pois todos sois um em Cristo Jesus. O homem que quer se entender completamente - não segundo apenas alguns critérios e medidas imediatas, parciais, às vezes superficiais, e até aparentes de sua própria essência - deve com sua inquietação, incerteza, bem como fraqueza e pecaminosidade, com sua vida e morte, aproximar-se de Cristo. Deve por assim dizer entrar nele consigo mesmo, deve se apropriar, assimilar toda a realidade da Encarnação e da Redenção, para se encontrar. Se acontecer no homem esse processo profundo, então ele frutifica não apenas no louvor a Deus, mas também em profunda admiração sobre si mesmo. Que valor deve ter o homem aos olhos do Criador, se mereceu tal e tão poderoso Redentor, se Deus deu seu Filho Unigênito, para que ele, o homem, não pereça, mas tenha a vida eterna. Precisamente essa profunda admiração diante do valor e da dignidade do homem chama-se Evangelho, ou seja, Boa Nova. -- João Paulo II - *Redemptor hominis* Este texto expressa tudo sobre o que queremos falar neste dia. Introdução ========== Ontem o dia todo falamos sobre a condição espiritual do homem. Tentamos olhar cuidadosamente para nós mesmos e refletir sobre quem somos. À noite começamos a falar já sobre Deus que entra nesta nossa vida. Queremos agora olhar novamente para nós mesmos, mas fazendo-nos a pergunta: o que a "presença de Deus" muda nas reflexões de ontem. *Lemos o texto da introdução - fragmento da encíclica Redemptor Hominis.* Vamos ler agora este belo texto frase por frase relacionando ao nosso tema. Jesus dá sentido à vida humana =============================== O homem não pode viver sem amor. O homem permanece para si mesmo um ser incompreensível, sua vida é desprovida de sentido, se não se lhe revelar o Amor, se não se encontrar com o Amor, se não o tocar e não o tornar de alguma forma seu, se não encontrar nele participação viva. * De que amor se trata aqui? Como entendemos que só podemos nos compreender através do encontro com o Amor? * Será que no amor conseguimos encontrar a plenitude de nossa humanidade? Damos a ele essa "importância"? É um pouco como querer "conhecer" o mecanismo, por exemplo, de uma impressora sem tentar imprimir nela qualquer coisa. O homem é criado para o amor, por isso só através do contato com ele (ou seja, respondendo com amor) pode descobrir a si mesmo. Revelação plena do homem ao homem ================================== E é por isso que Cristo-Redentor, (...) revela plenamente o homem ao homem. Este é o - se assim se pode expressar - dimensão humana do Mistério da Redenção. O homem encontra nele sua própria grandeza, dignidade e valor de sua humanidade. O homem é no Mistério da Redenção novamente confirmado, por assim dizer, expresso novamente. Criado novamente! Não há mais judeu nem pagão, não há mais escravo nem homem livre, não há mais homem nem mulher, pois todos sois um em Cristo Jesus. * Será que lendo as frases acima conseguimos encontrar essa grandeza, dignidade na imagem "Ecce Homo"? * Em que ela consiste, como a sentimos? * Será que também conseguimos viver uma alegria semelhante pensando que o Mistério da Redenção "nos recria"? Vamos prestar atenção que Deus vem para mostrar ao homem quem ele mesmo é! Essa revelação plena do homem ao homem significa que perdemos "antes" nossa própria identidade - não sabemos quem somos. Para Deus era então muito importante que descobríssemos isso. Descoberta da verdade profunda sobre si mesmo ============================================= O homem que quer se entender completamente - não segundo apenas alguns critérios e medidas imediatas, parciais, às vezes superficiais, e até aparentes de sua própria essência - deve com sua inquietação, incerteza, bem como fraqueza e pecaminosidade, com sua vida e morte, aproximar-se de Cristo. Deve por assim dizer entrar nele consigo mesmo, deve se apropriar, assimilar toda a realidade da Encarnação e da Redenção, para se encontrar. * "Entrar completamente", "assimilar toda a realidade da Encarnação e da Redenção" - são palavras incrivelmente exigentes. Sentimos medo, inquietação ouvindo frases tão radicais? Por quê? * Temos experiência de tal aproximação aberta a Cristo com todo o nosso ser? É isso sobre o que falamos ontem: o homem que já descobriu sua inquietação, incerteza, fraqueza, pecaminosidade ainda não consegue entender o próprio sentido da vida, tem mais perguntas do que respostas. Nesta etapa é preciso especialmente voltar-se para Jesus... Só ele nos dará a possibilidade de buscar respostas para nossas perguntas mais profundamente. Não devemos nos envergonhar de fazer isso para "nos conhecer". Reflexão sobre si mesmo ======================= Se acontecer no homem esse processo profundo, então ele frutifica não apenas no louvor a Deus, mas também em profunda admiração sobre si mesmo. Que valor deve ter o homem aos olhos do Criador, se mereceu tal e tão poderoso Redentor, se Deus deu seu Filho Unigênito, para que ele, o homem, não pereça, mas tenha a vida eterna. * De que maneira nós mesmos cuidamos para iniciar esse processo? * Conseguimos perceber em nós esse grande valor? Será que não é assim que muitas vezes criticando a nós mesmos tiramos essa dignidade? (ou seja, nos tornamos pessoas "muito pequenas") Aceitação corajosa do Amor ========================== O amor de Deus, sua grandeza, pode às vezes nos sobrecarregar. Como falamos ontem durante a conferência noturna sobre as cartas. A intenção daquele que dá amor não é que nos sintamos sobrecarregados. É difícil receber amor. * Experimentamos esse sofrimento relacionado com **receber amor?** O que fazemos para dar sentido a esse sofrimento? O sofrimento está inscrito no amor (pelo menos aqui na terra). Fugir desse sofrimento implica fugir de receber a plenitude do amor. Na vida de cada homem deve acontecer o momento da decisão difícil, para começar a amar (abrir-se para que alguém nos ame). * Como lidamos com essa decisão? Conseguimos aceitar tal nossa situação com otimismo, serenidade? Leiamos: Todo Amor verdadeiro deve ter sua Sexta-Feira Santa. -- card. Stefan Wyszyński * Como entendemos essas palavras do cardeal? Não por acaso amar se compara a uma vela acesa - nos consumimos pelos outros. Chegamos à pergunta mais importante: * **Conseguimos nos alegrar mais com a luz que os outros recebem graças a isso do que nos entristecer por causa de nossas inconveniências?** Aplicação ========= O método do Movimento Luz e Vida não permite que permaneçamos apenas no nível do conhecimento e da informação. Cada encontro deve terminar com "aplicação", ou seja, introdução concreta na vida do conteúdo. Proposta para que cada um de nós assuma agora um pequeno propósito relacionado ao tema discutido, que espera poder realizar ainda nestes retiros. Oração final ============= Livre pela intenção de boa vivência do Tríduo Pascal.